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25/ABR/2007
Europa Indiferente logo Decadente
Turquia não está madura para entrar na União Europeia
Nos anos sessenta a Alemanha, a Europa, abriu as portas à Turquia
porque precisava de mão-de-obra para as suas fábricas. Hoje
continua aberta, e come e cala, porque as empresas alemãs têm
grande interesse no mercado turco e na capacidade financeira do
mundo árabe que é bom pagador.
As nações européias possuidoras da grande tecnologia fazem o
negócio e a Europa paga as favas…
A resignação de muitos tribunais alemães perante os costumes
islâmicos é bastante pragmática na sua tolerância. Acreditam que a
economia é que faz a fé. No caso de dúvida a fé fica para os
pobres e os euros para os ricos, para os esclarecidos. Quando
chegaremos finalmente a uma sociedade esclarecida?
Sintomático é o fato da opinião pública não se colocar ao lado de
mulheres e homens turcos defensores do direito das mulheres e do
progresso. No caso da advogada turca de Berlim, Seyran Ates, que,
por defender mulheres turcas vítimas dos seus maridos, se viu
obrigada a deixar de exercer a profissão devido às ameaças
contínuas dos homens, ninguém se interessou, o mesmo vai
acontecendo com pessoas corajosas muçulmanas que se atrevem a
defender publicamente os direitos humanos dentro da sua cultura. A
solidariedade parece dar-se com os fundamentalistas e suas ações
propagandistas.
Esta atitude ambígua pensada até ao fim, parece confirmar a idéia,
de alguns, de que a defesa dos direitos humanos no ocidente não
passa de uma armadilha para apanhar incautos. Nisto se vê que na
opinião pública não há quem se interesse pelos valores da nossa
sociedade. Eles estão à disposição do Euro e do mercado mesmo à
custa do ser humano. Depois da morte de Deus e do falhanço
comunista e fascista só parece ficar o dinheiro e, para
desenfastiar, a revolução. Em tempos de transição aceita-se o
terrorismo. Ninguém leva ninguém a sério.
O medo do Islão não se pode reduzir à má consciência e ao
oportunismo econômico. Isto desprestigia tudo e todos. O mundo
ocidental tem também muito a aprender do Islão, devendo por isso
levá-lo a sério e na própria transformação ajudar o Islão a
transformar-se. Não caminhamos no sentido dum mundo global?
Por tudo isto os europeus não tomam a sério o extremismo turco e
árabe no desrespeito pela cultura árabe e pela cultura ocidental.
Muitos satisfazem-se com a argumentação da investigação islâmica,
segundo a qual, os muçulmanos manifestam um agir de subordinação
hipócrita perante a política e perante o estado. Esta constatação
pode ser verdadeira dentro das sociedades maioritárias; nas
minoritárias tem-se visto pela história que esperam pacientemente
até ao momento oportuno. Isto não fala contra eles, é mais uma
estratégia de sobrevivência e auto-afirmação na luta cultural.
Quem se empenha por um mundo melhor tem que realisticamente dar-se
conta da realidade para a poder melhorar no respeito mútuo.
O “gueto” religioso e espiritual condur ao “gueto” social
Na Turquia não há liberdade religiosa nem em nenhum país árabe.
Duma maneira geral as minorias religiosas são consideradas
inimigas do estado. Na própria Turquia, que onde lhe convém se
declara como sendo um estado laico a união entre política, Islão e
imprensa é de tal ordem que não permite qualquer liberdade que não
seja a dos muçulmanos. São campeões na deturpação dos factos. Os
cristãos não são admitidos para empregos do estado. Mesmo no caso
da minoria arménia que tem alguma escola privada, esta tem que ter
um vice-reitor muçulmano para controlar. Uma sociedade que só
reconhece o seu “gueto” religioso e espiritual acaba no “gueto”
social. Um grande problema para a Turquia é o facto de identificar
religião e tradição como uma só coisa. Isto, no caso de
desenvolvimento, terá como consequência o questionamento
fundamental da religião.
A Turquia não reconhece o direito dos cristãos transmitirem a sua
fé. De 30% de cristãos no princípio do século XX hoje não resta
sequer um por cento. Na execução do cristão alemão (tradutor) e
dos dois cristãos convertidos ao cristianismo encontra-se a
assinatura dum povo que no próprio país não tolera outros e no
estrangeiro vive em gueto. A generalidade dos muçulmanos não
tolera que haja missionação atendendo a que tudo é considerado
inferior à sua religião; consideram naturalmente lógico o seu
direito de no estrangeiro missionarem.
Nos países muçulmanos a mudança de religião significa para os
muçulmanos a pena de morte. Não conhecem a maturidade da
autocrítica. O assassinato dos cristãos é o fruto da discriminação
e da propaganda. Assim os turcos mais abertos recebem regularmente
uma advertência… A execução não acontece por acaso. O 1°. Ministro
da Turquia Erdogan é um islamista que fomenta o extremismo
religioso e apoia os fanáticos. A religião torna-se meio e fim do
seu imperialismo fascista.
Para testarmos a hipocrisia da nossa sociedade que mede com duas
medida bastaria imaginarmos que o assassínio aos cristãos tivesse
sido na Europa a muçulmanos. O mundo muçulmano levantar-se-ia e os
europeus fariam manifestações por toda a parte a favor dos
muçulmanos. Uma questão de diferentes consciências e sistemas
políticos! A tolerância europeia tornou-se indiferença e a
política relativamente à convivência cultural, uma política de
avestruz. O recalcamento da nossa cultura, e o relativismo
cultural da nossa intelectualidade e política conduzem ao silêncio
e à falsa tolerância.
A fraca identidade dos alemães leva-os a pôr à disposição a
própria cultura e valores numa tentativa inconsciente de lavar a
culpa colectiva numa nova identidade de abertura ao mundo. A sua
compreensão pelo gueto turco talvez lhe provenha também do facto
de tender a gueto quando se encontra na diáspora. Correm também o
perigo de se refugiarem no papel de querer ser modelo para o resto
do mundo.
A Alemanha, o El dorado para muçulmanos, tem mais de 3.000
mesquitas em aumento acelerado. Imagine-se como se reagiria na
Turquia se lá se permitisse a construção de duas ou três igrejas!
Haveria tumultos.Não sou contra que os muçulmanos construam
quantas mesquitas quiserem na Europa. Só questiono o facto de os
mesmos que constroem mesquitas na Europa serem contra que se
construam igrejas nos seus países e os políticos estarem de
acordo. Em parte é compreensível que estes se calem com medo de
fomentar extremistas religiosos também na Europa. O facto de não
haver bilateralidade, acrescentado da incúria política, poderá
porém fortalecer um clima de extremismo resposta numa altura
posterior.
No diálogo com representantes muçulmanos importante é informar e
argumentar dado tenderem a torcer a realidade. Organizações
muçulmanas exigem tolerância mas apenas a tolerância que eles
pensam, a tolerância das suas coisas. Um bom método é o de fazerem
perguntas.
A Turquia não está madura para entrar na União Européia nem os
europeus estão maduros para compreender os turcos. Há quinhentos
anos de premei, além do mais!... Um diálogo sério e não apenas de
hipócritas ajudaria as duas civilizações a aproximarem-se e
aprender mais uma da outra.
António da
Cunha Duarte Justo
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