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18/ABR/2007
Religião
Papa Bento XVI
16 de Abril, dia dia em que o Papa faz oitenta anos foi publicado
o seu livro “Jesus de Nazaré” com uma tiragem de 250.000
exemplares. O Pontífice quer mostrar, na sua nova obra, que os
evangelhos descrevem Jesus de maneira inequívoca como filho de
Deus.
Na continuação do agir do papa predecessor, Bento XVI acentua a
fé. Procura dar orientação em tempos de grande mudança como mostra
na sua encíclica “Deus é amor.” Ele mantém-se fiel ao seu
conservadorismo não correspondendo ainda a muitas esperanças
postas nele.
Apesar disso os juízos e preconceitos têm diminuído de
intensidade. Ele afirma-se como um pai conseqüente.
Na Alemanha já se nota maior interesse pelo cristianismo ocupando
este, na consciência de muitos, o lugar duma religião de
vanguarda. Conseguiu chamar a atenção para o núcleo da Boa Nova
cristã: o amor e a fé. Ele que queria passar os últimos anos da
sua vida como cientista escrevendo livros em sossego permanece um
homem da doutrina, na continuidade do seu livro publicado em 1968
com o título “introdução ao cristianismo”, uma obra modelo.
A igreja precisa urgentemente de
reformas interiores. Estas têm de partir duma base mais confiante
e menos rotineira, recado que o Papa deixou na sua primeira
encíclica. Seria uma infidelidade ao Cristianismo continuar a crer
que bastaria o recurso a reestruturações paroquiais para precaver
a falta de padres. O espírito de “Deus é amor” contradiz aquela
atitude em voga.
Da reação emotiva do mundo árabe à sua
lição científica de Ratisbona o Papa aprendeu que o seu cargo mais
que científico é político. Soube manter-se firme sem desculpas,
apesar da praxis hesitante dos que se orientam apenas pelo
politicamente correto, encorajando os cientistas a não abdicarem
perante o medo. Ele tem sido um exemplo de coragem e empenho
também para a política.
António da
Cunha Duarte Justo
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