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21/ABR/2006
Santos/História
Tarquínio, O
Magnífico
A lembrança dos 80 anos que faria
Esmeraldo Tarquínio no último dia 12, em sessão solene na Câmara
realizada pela vereadora Suely Morgado, é uma exigência de Santos
cultivando sua própria memória e sua história heróica. Isto se faz
em mais este episódio que revela sua expressão de cidade
taumaturga de milagres e astros humanos, capazes de projetar
idéias e sentidos de transformação - e por eles se sacrificam e
escrevem passagens de heroísmo.
Tarquínio é aquele que não deixaram ser prefeito e que quando
voltava da cassação, depois de ser o melhor deputado estadual
escolhido pela imprensa, antes da cidade conquistar sua autonomia
mais uma vez levada e poder eleger Tarquínio prefeito, chamaram de
volta para ser semente taumaturga geradora de milagres destas
terra. Outros virão, portanto.
Não foi por acaso que no dia da homenagem recente a Câmara lotou
de amigos contemporâneos - e de muitos que dele só ouviram falar,
contar e ler deste líder que discursava sem microfone, que cantava
em orquestra, advogado e poliglota emérito, cidadão do mundo
socialista que engraxou sapatos e carregou caminhão, vendeu
jornais, foi cantor, vereador, dirigente do glorioso Santos F.C.,
deputado e prefeito que não deixaram assumir - porque cassado pela
bota da violência ensandecida de uma corporação sem sentido e sem
razão, como cantou Vandré.
Quando Tarquínio, que nascido em 12/4/27 e eleito prefeito em
novembro de 1968, o ano histórico da luta libertária mundial,
brasileira, santista e universal, cassado em março de 1969, quando
ele voltou dos dez anos de seu impedimento arbitrário - barreira
imposta pela força dos que não tinham seu gênio de crescer e
conquistar pela raça e pela ideologia -, um espetáculo foi
programado para o amplo Cine Caiçara, no Boqueirão. Mas uma
tempestade se abateu, igual a esta e ainda assim tinha centenas de
pessoas, que seriam milhares que ele conquistou com sua voz mansa
e possante, seu sorriso universal.
O vicentino que se fez mundial, intelectual socialista que
conheceu Robert Kennedy e Martin Luther King, o líder negro
assassinado nos EEUU em 1968 após a Marcha sobre Washington com
quatro milhões de pessoas, que só andava a pé e de bicicleta e
nunca aceitou vergar-se pelos capitais da Ditadura, há, esse negro
era doce. Jornalista, poeta, cantor magistral andador pelos cantos
e recantos de sua cidade, Tarquínio tem história desde que nasceu
e seu pai baiano de São Salvador da Bahia deu-lhe nome de um
prefeito sim, senhor, o que ele iria ser - o pai sabia. O que o
pai não sabia é da violência dos verdugos que mataram este Rei do
Povo que a força proibiu.
Seu nome Tarquínio vem do etrusco, uma região próxima à sede do
Império Romano nesta época Antes de Cristo - Império que teve
diversos reis com esse nome originários desta cidade. Tarquínio
quer dizer "aquele que brilha". Reis como Tarquínio, o magnífico e
Tarquínio o soberbo. O que este nosso Tarquínio jamais foi - homem
do povo e do contato humano em que cresceu como grama no meio dos
paralelepípedos para arvorar-se com mensagens de paz, beleza e
socialismo, receitas humanitárias. Como sabia tanto seu pai que
ele iria ser prefeito e brilhante em uma terra de vítimas heróicas
de cassações e assassinatos como Rubens Paiva? Merece uma praça
este Tarquínio...
Ademir Pestana
Vereador em Santos
vereador@ademirpestana.com.br
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