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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

10/ABR/2007

Uma realidade que se impôs ao FMI

Desde há já uns bons anos que me venho batendo, através deste meio ainda poderoso, que é a intervenção jornalística, contra os nefandos resultados da aplicação da organização neoliberal da sociedade.

Os resultados, como se vai podendo constatar por toda a parte deste nosso decadente Mundo, acabaram por se impor, mesmo à grande maioria de todos nós, e muito para lá de um conhecimento mínimo da problemática da organização política do Estado, das relações internacionais entre países, ou da vida econômica das sociedades, sejam as nacionais ou a internacional.

Esses nefandos resultados, que estão a atingir dolorosamente quase todos por toda a parte, foram depois muitíssimo hipertrofiados pelo fenômeno da globalização. De resto, desde que os sinos tocaram a rebate para anunciarem a chegada destas infelizes ideias, que pude sempre mostrar o que seria evidente: o nivelamento dar-se-ia sempre pelos níveis mais baixos, atingindo quem já havia conquistado alguma dignidade de vida, e provocaria, no mínimo, uma estagnação nos locais onde o que se impunha era o desenvolvimento econômico e social.

Tudo isto era evidente e facilmente conjecturável, mesmo para lá da consideração dos mil e um constragimentos hoje já universalmente reconhecidos em torno das alterações climáticas ou do esgotamento de matérias primas essenciais.

Ninguém equacionou, mormente na área política, quais os valores a cuja luz se deveria operar o progresso social, acabando por acreditar nessas utopias do tudo elétrico, do tudo nuclear, do crescimento econômico sem fim, ou da privatização a toda a prova.

Mas a realidade acabou por impor-se, infelizmente na sequência do vasto sofrimento que acabou por causar-se à grande maioria dos povos que serviram de autênticas cobaias de certos criminosos experimentadores sociais e políticos: o Fundo Monetário Internacional, pela primeira vez e para espanto generalizado, veio agora reconhecer que a globalização está a travar os salários nos países mais desenvolvidos, promovendo aqui um aumento das desigualdades, ao mesmo tempo que impede o arranque das zonas subdesenvolvidas no caminho para um progresso que lhes é essencial. Espantoso!

Em todo o caso, há que reconhecer que esta tomada de posição, sendo já importante e significativa, acaba por não tocar no pecado fundamental das sociedades do nosso tempo, que foi a cega, certamente interesseira e criminosa, adoção do modelo neoliberal, na sequência do fim do espaço comunista e do aparecimento do tempo da Pax Americana, modelo de pronto adotado onde não seria de esperar, como é o caso da União Européia. Uma lamentável aberração política, porque se a conjetura já nos permitia facilmente perceber aonde se iria chegar, a amostragem já conseguida, e um olhar realista e sério sobre a estrutura da sociedade desumana dos Estados Unidos, seriam suficientes para que se não prosseguisse com tal cantilena.

A questão que tem agora de colocar-se é a de saber se os políticos europeus terão a coragem e a seriedade de mudar de rumo, e se serão capazes de reconhecer que o grande problema da União Européia de hoje assenta numa confrangedora falta valores, determinantes desta incapacidade de definir uma estratégia humanista e realista e de implementar os passos essenciais a pô-la em prática.

Ou bem me engano, ou teremos ainda de passar por um sofrimento bem mais acrescido, seja por via de um qualquer Caos, seja pelos efeitos imprevisíveis de um eternamente indesejado Califado. Mas tenho de confessar que esperança é sentimento que me não assiste.

Hélio Bernardo Lopes

hegonlo@gmail.com

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