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Artigo » Eduardo Neves Moreira

03/ABR/2007

O Encerramento do Consulado de Santos: Uma agressão a uma comunidade das mais importantes e significativas

Após longas discussões e incansáveis apelos, chegou-nos a notícia da decisão governamental de encerramento definitivo do tradicional Consulado de Portugal em Santos. Custa-nos a crer a confirmação de tão desatinada ordem, principalmente depois de ouvirmos declarações bastante animadoras de que tal ameaça às dezenas de milhar de portugueses não se concretizaria.

Só quem tem a vivência de conhecer essa laboriosa comunidade portuguesa que habita a Baixada Santista, deslumbrar-se com as suas realizações, entusiasmar-se com o patriotismo dos nossos irmãos lá residentes e participar do convívio com os seus lídimos representantes e que pode avaliar a importância da manutenção de uma representação nessa importante cidade do Brasil, onde a presença portuguesa sente-se por toda a parte, seja nos monumentos, seja na arquitetura, seja no folclore e em todos os bairros e cidades vizinhas. As associações portuguesas e luso-brasileiras, lá sediadas, desenvolvem um importante papel na vida quotidiana da região, seja sob o aspecto social, como cultural, recreativo, desportivo e assistencial. É uma região onde a nossa comunidade recebe a estima e o respeito, como em poucos lugares para os quais temos emigrado e onde se festejam com ardor as datas magnas da nacionalidade.

Deve-se ressaltar que foi em Santos, em 1958, que se fundou o Elismo e onde, ainda hoje, funciona a sede histórica do Elos Internacional, movimento de grande importância para a defesa e promoção do nosso idioma e de todos os valores lusíadas.

Como Deputado da Assembléia da República, tive a honra de visitar em caráter representativo essa bela cidade e apreciar o lusitanismo dos nossos conterrâneos e seus descendentes. Verifiquei o carinho e o interesse demonstrados pelas autoridades brasileiras com os nossos festejos e a nossa cultura e festejei com eles mais um ano de fundação dessa bela cidade.

Choca-me verificar o abandono cultural e assistencial a que estará sujeita essa grande comunidade, concretizando-se o encerramento e lembrar que, pela primeira vez, a cidade de São Vicente, a mais antiga do Brasil, deixa de ter uma representação consular oficial portuguesa na região.

A alegação de que o Consulado Geral de Portugal em São Paulo fica a pouco mais de 60 quilômetros de distância é, de certa maneira, falsa, pois o intenso tráfego verificado entre a cidade de São Paulo e o litoral, por vezes torna-se demasiadamente longo pelo excesso de veículos e que chega a demorar mais de duas horas para conseguir percorrê-lo. Não seria mais lógico e justo, já que se pretende reduzir custos administrativos, de transformá-lo num Vice-Consulado, que poderia continuar a prestar um importante serviço a essa grande e ativa comunidade?

Espero e faço votos de que haja uma reflexão mais aprimorada e que as autoridades com poderes para tal, modifiquem essa decisão sob pena de se cometer uma das maiores injustiças para com as nossas comunidades residentes no estrangeiro.

Eduardo Neves Moreira
Ex-Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas
Ex-Deputado pelo Círculo da Emigração de Fora da Europa

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