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Artigo » António da Cunha Duarte Justo

03/ABR/2007

Europa contra Europa e a USA de permeio

A Europa e a USA precisam-se reciprocamente

As potências européias estão chateadas pelo fato da Polônia querer permitir aos americanos a instalação de uma base de defesa de foguetões no seu território. Por outro lado a Alemanha quer fazer passar os gasodutos provenientes da “Rússia” à margem dos interesses da Polônia, evitando a passagem deles pelo território polaco. Curioso é o fato das bases já serem vistas como princípio da divisão da Europa!... Hipocrisia política checa

A USA tenciona estabelecer na Polônia e na Chéquia bases de defesa de foguetões. O empreendimento não agrada a russos nem a europeus. Aos europeus não agrada que os dois países concedam direitos extra-territoriais à USA. Os polacos, baseados na má recordação coletiva da ameaça russa e nas experiências negativas com os outros vizinhos, encontram razões históricas e mesmo atuais para apostarem na colaboração com os americanos.

A EU, por seu lado, quer que todos os estados da comunidade se encontrem numa relação de dependência mútua.

Obviamente a América não quer pôr à disposição da NATO a sua tecnologia para mais no contexto já existente do Conselho Nato-Rússia!... A transmissão do seu saber tecnológico significaria apoiar a concorrência. Por outro lado as relações entre a Europa e a USA não estão isentas de conflitos e para mais num momento em que a EU se tenta afirmar numa certa independência relativamente à América e numa aliança precária com os russos. Um busílis!

O desafia no armamento, depois da queda da cortina de ferro, tem-se acelerado com iniciativas de armamento atômico em vários países e o aumento do orçamento de guerra na América especialmente depois do 11 de Setembro 2001. É a continuação da doutrina romana do “si vis pacem, para bellum”. O ser humano revela-se incapaz de aprender. Afirma-se mais na dialética antagónica do que na convergência. Só quando atingir um estado de consciência integral e universal poderá dar um salto qualitativo na sua relação e estratégia. O sofrimento tem sido o óleo de lubrificação do carro da história!...

A velha experiência só poderá ver uma saída para a problemática europeia através da construção dum sistema de defesa de foguetões a nível de toda a Europa. Assim poderá evitar eventuais reacções da Rússia.

O problema é que a nível europeu, há contradição entre a política declarada pela Europa e a que se faz em casa pela nação. As grandes potências estão mais interessadas na defesa dos seus interesses econômicos e estratégicos. Os países que mais ganharam com a EU foram os maiores e quando se trata de decisões na economia e na defesa prevalecem os interesses da Europa central. Decerto que no futuro só terá sentido um sistema de defesa anti-foguetões a nível europeu. Para mais num tempo em que o irão também quer dispor de armamento atômico que atingirá a Europa. Até lá a Europa central terá de aprender a considerar também os interesses da periferia. Por outro lado, em contextos globais e de futuro penso que a Europa e a USA só poderão subsistir juntas.

De momento na USA são colocados 90 biliões de dólares para o desenvolvimento e instalação dum sistema de protecção contra foguetões atômicos. Um escândalo perante tanto sofrimento no mundo. O mal na estratégia humana está em não partir do bem para todos mas do melhor para alguns à custa dos outros.

Um passo na humanização das relações internacionais poderia alcançar-se mediante a obrigação mútua de se investir tanto capital na tecnologia de defesa como na de desenvolvimento dos mais pobres. Uma comunidade só se poderá construir na base da tolerância e da compensação.

António da Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo

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