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03/ABR/2007
Europa contra Europa e a USA de
permeio
A Europa e a USA precisam-se reciprocamente
As potências européias estão chateadas pelo fato da Polônia querer
permitir aos americanos a instalação de uma base de defesa de
foguetões no seu território. Por outro lado a Alemanha quer fazer
passar os gasodutos provenientes da “Rússia” à margem dos
interesses da Polônia, evitando a passagem deles pelo território
polaco. Curioso é o fato das bases já serem vistas como princípio
da divisão da Europa!... Hipocrisia política checa
A USA tenciona estabelecer na Polônia e na Chéquia bases de defesa
de foguetões. O empreendimento não agrada a russos nem a europeus.
Aos europeus não agrada que os dois países concedam direitos
extra-territoriais à USA. Os polacos, baseados na má recordação
coletiva da ameaça russa e nas experiências negativas com os
outros vizinhos, encontram razões históricas e mesmo atuais para
apostarem na colaboração com os americanos.
A EU, por seu lado, quer que todos os estados da comunidade se
encontrem numa relação de dependência mútua.
Obviamente a América não quer pôr à disposição da NATO a sua
tecnologia para mais no contexto já existente do Conselho
Nato-Rússia!... A transmissão do seu saber tecnológico
significaria apoiar a concorrência. Por outro lado as relações
entre a Europa e a USA não estão isentas de conflitos e para mais
num momento em que a EU se tenta afirmar numa certa independência
relativamente à América e numa aliança precária com os russos. Um
busílis!
O desafia no armamento, depois da queda da cortina de ferro,
tem-se acelerado com iniciativas de armamento atômico em vários
países e o aumento do orçamento de guerra na América especialmente
depois do 11 de Setembro 2001. É a continuação da doutrina romana
do “si vis pacem, para bellum”. O ser humano revela-se incapaz de
aprender. Afirma-se mais na dialética antagónica do que na
convergência. Só quando atingir um estado de consciência integral
e universal poderá dar um salto qualitativo na sua relação e
estratégia. O sofrimento tem sido o óleo de lubrificação do carro
da história!...
A velha experiência só poderá ver uma saída para a problemática
europeia através da construção dum sistema de defesa de foguetões
a nível de toda a Europa. Assim poderá evitar eventuais reacções
da Rússia.
O problema é que a nível europeu, há contradição entre a política
declarada pela Europa e a que se faz em casa pela nação. As
grandes potências estão mais interessadas na defesa dos seus
interesses econômicos e estratégicos. Os países que mais ganharam
com a EU foram os maiores e quando se trata de decisões na
economia e na defesa prevalecem os interesses da Europa central.
Decerto que no futuro só terá sentido um sistema de defesa
anti-foguetões a nível europeu. Para mais num tempo em que o irão
também quer dispor de armamento atômico que atingirá a Europa. Até
lá a Europa central terá de aprender a considerar também os
interesses da periferia. Por outro lado, em contextos globais e de
futuro penso que a Europa e a USA só poderão subsistir juntas.
De momento na USA são colocados 90 biliões de dólares para o
desenvolvimento e instalação dum sistema de protecção contra
foguetões atômicos. Um escândalo perante tanto sofrimento no
mundo. O mal na estratégia humana está em não partir do bem para
todos mas do melhor para alguns à custa dos outros.
Um passo na humanização das relações internacionais poderia
alcançar-se mediante a obrigação mútua de se investir tanto
capital na tecnologia de defesa como na de desenvolvimento dos
mais pobres. Uma comunidade só se poderá construir na base da
tolerância e da compensação.
António da Cunha
Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
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