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26/MAR/2007
Estamos de Luto
Um pedaço de Portugal está morrendo.
A Comunidade Portuguesa dos Municípios que compõem a área de
Circunscrição do Consulado de Portugal em Santos está de LUTO.
Nossa raça, originalmente emigrante por necessidade, ordeira e
acolhida com respeito pelo mundo, é desrespeitada de forma obtusa,
e grotescamente ignorada pelas autoridades que hoje compõem o
Governo Português.
No inicio do século passado fugíamos, para que não fizéssemos
parte da lista das vítimas da tropa. Quando jovens ainda
acalentado sonhos, eram obrigados a servir o exercito por três
anos, embarcando nos navios Vera Cruz e Santa Maria com destino à
estúpida guerra de além- mar nas colônias portuguesas da África.
Muitos tiveram suas vidas ceifadas em plena flor da idade, pelo
desumano, cruel e selvagem regime Salazarista.
Após a revolução dos cravos na metade da década de 70, pelo titulo
dado à revolução, entendia-mos que nossa pátria viveria a era
florida, surgiriam homens de notável saber político e fariam
jorrar calor humano e benesses há tanto tempo ausentes, nasceria
uma nova esperança a mudar os destinos de tão sofrido povo,
residente ou não em Portugal.
Mas, testemunhamos com asco e repugnância o nascimento de dois
partidos majoritários, que lotearam politicamente o país e se
digladiam pelo poder, deixando com seus desatinos a nação á
própria sorte, e ao “relento” da invernia seus filhos distantes.
Se anteriormente tínhamos regime de exceção, onde o Salazarismo
monitorava cada português, mandando seus jovens morrer na guerra
de além-mar, hoje, o mundo assiste a uma política interna
medíocre, estagnada, inoperante, onde a luz dos governantes é dos
tempos das candeias, a ponto de ser vigiada constantemente pela
Comunidade Européia.
Somos os primeiros dos piores países membros de uma comunidade que
celebra 50 anos. A incompetência de alguns homens do poder é tão
pálida, que decidiram abandonar definitivamente a todos que
buscaram dotar seus destinos de um amanhecer de esperança.
O emigrante, mesmo esquecido por seus maiores, é responsável pela
terceira receita do país, com remessas legais enviadas dos quatro
cantos do mundo.
E, quando voltamos ao “colo” de nossos amores, somos tratados como
“retornados”, se visitamos nosso país a turismo, somos recebidos
como “estrangeiros”.
O Consulado de Portugal em Santos, recebeu como dirigentes na
ultima década a escória da Diplomacia Portuguesa.Grassam rastros
desairosos e ainda permeiam conversas sobre tais cidadãos na
sociedade local.Foram e são incapazes de promover um único ato
Cultural em uma cidade que abriga seis Universidades.Foram e são
incapazes de participar de clubes de servir, praticam a ausência
permanente em todas as atividades das entidades Luso Brasileiras,
mesmo nas datas mais especiais registradas na historia de nossa
pátria, como o dia 10 de Junho.
Só não é total o abandono, porque fomos premiados por um Vice
Cônsul de nobreza singular, que cura nossas feridas com mãos
cirúrgicas, o que torna nossas cicatrizes menos doloridas.
Um governo que fecha escolas,fecha urgências e reduz tribunais,
marcha celeremente para o autoritarismo.
Fechar um Consulado alegando reduzir custos, não passa de mais uma
inverdade, decisão cega de plebeus. Aliás, tivessem apenas
estreita visão, dotariam a cidade como outras existentes, um
Cônsul honorário em um “OFFICE CONSULATE”, e todos nós, Cristãos e
tolerantes, aplaudiríamos a decisão.
O Consulado de Portugal em Santos é auto-sustentável. São dezenas
de portugueses e seus descendentes, alem de cidadãos brasileiros
que a afluem ao local diariamente, pagam tudo ao Governo
Português. Ao adentrar a porta para acesso à longa escadaria,
começam a gerar receita aos cofres do Consulado.
Senhores membros do governo Português, nossa história é repleta de
brilhantes páginas. Obras que agregam sabedoria e valor á cultura
Universal. O mundo curva-se ao homem simples de origem portuguesa,
que por onde passa produz, alavanca crescimento, é ordeiro e
integra-se com respeito na sociedade onde vive, mas não esquece de
fincar bem alto o pavilhão nacional português, para que tremulando
ao sabor dos ventos anuncie; ali tem uma comunidade de bem.
Os membros do atual governo Português são estrábicos, estão
dilacerando o pavilhão nacional que tremula no mastro da rua D.
Pedro II. Preparam-se para balbuciando, borrar com mãos infiéis
nossa bela historia.Vão ser os autores da mais negra página
portuguesa escrita na historia da acolhedora e generosa Cidade de
Santos, terra um dia palmilhada por ilustríssimos homens de origem
portuguesa, como Martim Afonso de Souza e Braz Cubas seu fundador,
entre tantos outros altruístas.
Uma terra que acolhe com extrema fidalguia e esperança todos os
senhores quando candidatos, que o digam Mário Soares e o senhor
Presidente da Republica Cavaco Silva, na recente visita de
campanha.
Mas quando se tornam em excelências, viram as costas á Comunidade
Portuguesa, oferecem desprezo e omissão, pois este é seu conteúdo
maior a oferecer, donos de espíritos vagos, ouvidos moucos e
coração vazio. Nada habita a alma de cada um.
São frios, calculistas e antidemocráticos. Iludem o povo com
promessas vãs, prática dos amorfos, usurpam de seus filhos
distantes o quase nada de serviços que lhes é vendido no
Consulado, “a cotação a Euro”.
Pobre país. Após viver décadas na lama política, não encontra
cidadãos á altura de sua história remota, para confiar-lhe com
segurança o destino da nação.
A honrada Comunidade Portuguesa da Baixada Santista, repudia os
responsáveis por tão insensível decisão. E por isso fará registrar
em todas as localidades Luso-Brasileiras locais, a relação de
todos os membros responsáveis pela traição.
As entidades responsáveis por esta carta aberta, tentarão ainda
agendar uma visita a Lisboa, para fazer uma representação pessoal
aos senhores primeiro Ministro e Presidente da República.
Falaremos pela Comunidade Santista que nos outorga poderes para
tanto.
Entregaremos esta nossa carta aberta, para que sintam; democracia
é coexistir com contrários em harmonia. Praticá-la, é ouvir
pleitos de um povo eleitor, por mais contrários que sejam a nosso
pensamento. Nenhum país deverá negar a palavra a seus filhos.
Centro
Português
Sociedade União Portuguesa
Sociedade Portuguesa de Beneficência
Escola Portuguesa
Casa de Portugal
Casa da Madeira
Tricanas de Coimbra
Elos Clube
Associação Atlética Portuguesa
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