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26/MAR/2007
Ecologia e Família
As plantas assentam a sua força de auto-afirmação e realização nas
suas raízes, enquanto que o ser humano as fundamenta no espírito.
O clima e a pureza do ar estão para a planta como a atmosfera
humana, o amor está para o género humano. São dois sistemas
ecológicos interdependentes em que o meio ambiente (biotópico e
cultural) é determinante para a sua sobrevivência. As plantas
sofrem com o meio ambiente poluído tal como a pessoa humana sofre
com a poluição cultural ambiental. A poluição é comum tendo a
mesma causa e os mesmos efeitos. O sofrimento é o mesmo, toda a
criação sofre, diferenciando-se o sofrimento no grau da vibração.
Falta ainda a capacidade de identificação e a consciência humana
do padecer comum.
O ser humano e a natureza alcançaram já um grau limite de
poluição. A poluição ambiental e cultural é provocada pelo nosso
modo de viver, pelo mundo das nossas ideias e sentimentos. A
medida mais urgente a tomar será a remodelação das nossas ideias.
As ideias são energia tal como o sol o é. Enquanto o Sol
proporciona a vida o Homem, amuralhado nas suas ideias, continua a
provocar sombra terrena, a sombra do sofrimento porque ainda não
descobriu o Sol interior que se encontra nele mesmo, o amor, de
que o astro Sol é apenas a sombra.
Tal como o dióxido de carbono, o ozono, e os químicos em geral
poluem a atmosfera e o solo prejudicando as plantas, assim actuam
as ideologias contaminando a cultura. A vida no cerco do mundo
paralelo das ideias é incapaz de reconhecer a vida como corrente,
como espírito a brotar.
Se na ecologia é essencial a defesa dos biótopos para a
conservação e desenvolvimento natural das espécies, o mesmo se
deveria dar na sociedade onde os biótopos naturais são
primeiramente a família. Nos biótopos desenvolvem-se as forças que
possibilitam a resistência e a auto – afirmação ao meio adverso. O
que o húmus é para a planta é o afecto, o ambiente emocional, o
espírito, para a pessoa.
Como na atmosfera se dá um estreitamento do espaço vital devido à
profusão do anidrido carbónico e de outros tóxicos também na
sociedade aumentam os tóxicos – medo, stress, egoísmo e moralismo
– condicionadores do indivíduo e do grupo. Na natureza os tufões e
os zunamis ocorrem já com grande frequência observando-se o mesmo
fenómeno nas famílias e na sociedade com entulhamentos e
enxurradas no corpo e na alma. As forças instintivas e intuitivas
perdem o equilíbrio através de bloqueios e nós da energia vital.
Sociedade e natureza cada vez manifestam mais sintomas de doença.
O desenvolvimento da personalidade em biótopo desnaturado fixa-se
numa expressão adolescente crónica. A sociedade recusa assumir
responsabilidade mantendo-se no infantilismo arcaico e na
resolução dos problemas à maneira do passado. O fumo das fábricas
e dos carros bem como os medos e o desatino intoxicam a sociedade
e a natureza. Também em nós ardem as tensões, a nível do
inconsciente, provocando fumaça e intoxicações na alma e na
sociedade. Como consequência o espaço social e psicológico
torna-se cada vez mais reduzido devido a medos e inseguranças. A
juventude sem perspectivas nem chances resigna.
A florescência do amor é impedida, atendendo à poluição dos
canais. A energia formadora e sustentadora do universo é o amor
que tudo muda e transforma. Como esta energia não é aceite no
mercado, a natureza e a humanidade sofrem. O amor deixa de ser
reconhecido como substrato do desenvolvimento individual, das
espécies, da natureza e da sociedade. Precisamos dum novo
Renascimento, da Renascença do espírito, doutro modo continuaremos
a ser menos cumpridores do nosso papel de género do que as outras
espécies da natureza. O mundo precisa duma nova visão.
A regeneração da natureza e da sociedade só será possível mediante
uma nova mentalidade. Uma mentalidade unificadora do
pensar-sentir-agir no conúbio de tudo em todos. Uma nova
consciência conduzirá à experiência gratificante da ressonância na
vibração universal.
António da Cunha
Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
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