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08/MAR/2007
A mulher no
empreendedorismo
Comemorar o Dia Internacional da Mulher em 2007 é lembrar que a
150 anos atrás algumas operárias de Nova Iorque entraram em greve
para reivindicarem a redução da jornada de trabalho de mais de 16
horas por dia para 10 horas, recebendo menos de um terço do que os
homens. Essas mulheres foram fechadas na fábrica onde ocorreu
um incêndio, e cerca de 130 morreram queimadas. De lá para cá
muitas coisas mudaram, conquistas femininas foram conseguidas, mas
mesmo assim, a data ainda tem como objetivo chamar a atenção para
o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de
consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade,
contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos
à mulher.
No empreendedorismo, as mulheres estão chegando e mostrando que
para ficar. No Brasil, a participação das mulheres no
empreendedorismo é muito significativa e cresce a cada dia,
tornando o país campeão na participação das mulheres. Segundo
estudos, já é de cerca de 45% a presença da mulher nas empresas,
sem contar o aumento de sua atuação em posições de liderança nas
empresas e na conquista de mais terreno no espaço público. Hoje já
são em torno de 6,4 milhões de empreendedoras brasileiras.
A participação das mulheres no empreendedorismo foi estimulada
pelo Estatuto da Microempresa, instituído em 1984, muitas mulheres
que trabalhavam em casa formaram novos empreendimentos, graças a
permissão que marido e mulher pudessem constituir cada um sua
microempresa. Era o que faltava para as mulheres assumirem seu
lado empresarial. Os Estados do Sul e do Sudeste foram os que
constataram o fenômeno com maior intensidade. De um modo geral, as
preferências recaíam sobre lojas de roupas, pequenas confecções ou
produtos artesanais e caseiros.
Nesse Dia Internacional da Mulher temos que reconhecer e
reverenciar a importância das mulheres para o crescimento do país,
porque elas só constroem para si uma alternativa de inclusão ou
permanência no mercado de trabalho, mas também geram empregos e
promovem inovação e riqueza.
As mulheres vêm modificando seus papéis sociais e encontrando
novas e criativas estratégias para lidar com a multiplicidade de
papéis que envolvem autonomia no trabalho e poder de decisão. A
situação traz muita satisfação para as mulheres em posição de
liderança e são bons preditores do bem-estar psicológico de
mulheres casadas. A experiência de ser empreendedora proporciona
satisfação às mulheres, pois é mediadora de um forte sentimento de
auto-realização, que se reflete em uma alta auto-estima. O
exercício do empreendedorismo, apoiado em autonomia e poder de
decisão, coloca as mulheres em condição de transformar as
dificuldades e insatisfações em desafios capazes de gerar
satisfação já que possibilita a criação e afirmação de seus
próprios valores, na medida em que há autonomia, independência e
liberdade para ter iniciativa e desenvolver idéias.
Na verdade, esses também eram os objetivos das operárias de Nova
Iorque, em 1857.
Valter Moura Júnior
Advogado
Coordenador do Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação
Comercial e Industrial de São Bernardo
Assessor da Secretaria de Comunicação de São Bernardo.
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