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02/MAR/2007
Incesto – dois irmãos juntam-se e
geram quatro filhos
Na França não há pena judicial para o incesto e na Alemanha
espera-se a decisão do tribunal constitucional para se saber se as
relações sexuais entre familiares do primeiro grau e o casamento
entre irmãos serão peníveis.
É a eterna questão de Édipo que teve 4 filhos com a sua mãe. Na
Alemanha avaliam-se em 10.000 pessoas fruto de relações
incestuosas.
Em Leipzig, Alemanha, dois irmãos que antes não se conheciam
juntaram-se e tiveram já quatro filhos. Patrick (hoje com32 anos)
que depois duma odisseia passada em lares para crianças consegue
descobrir a sua mãe e conhece pela primeira vez a sua irmã Susann
(hoje com 22 anos). Meio ano depois morre a mãe e o amor nascido
do encontro entre os dois irmãos cimenta-se.
Juntam-se e têm filhos sendo Patrik, por isso, condenado pelo
tribunal a dois anos de prisão. Uma vez cumprida a pena de novo
têm uma filha agora de dois anos. De novo à pega com a justiça
apelou para o tribunal constitucional, aguardando decisão deste.
O seu advogado argumenta que a lei além de constituir uma
usurpação do direito fundamental de autodeterminação vai contra a
liberdade de opção em questões de sexo e de organização da vida
familiar. Para o defensor o incesto não está na origem de
problemas na família como antigamente se cria sendo pelo contrário
a consequência de problemas familiares. Argumenta também que os
riscos hereditários provenientes de relações incestuosas não
constituem argumento dado não haver proibição de relações sexuais
a pessoas com doenças hereditárias. Patrick já se esterilizou
porque quer viver com a irmã.
A tradição comum de todas as religiões considerarem o incesto como
tabu corresponde a uma necessidade de protecção importante da
família e da espécie.
Em tempos em que todos os tabus sexuais caem ainda faltava este da
relação sexual entre pais e filhos e entre irmãos.
A proibição universal do incesto em todas as religiões é
importante porque debaixo da proibição se esconde a ideia de
protecção, dignidade e respeito. Protecção contra as doenças
genéticas hereditárias que resultam de relações incestuosas.
Protecção dos filhos e da intimidade e da paz na família. As
crianças estariam indefesas perante os pais. Hoje é por demais
conhecido o crime com crianças vítimas do abuso sexual de pais e
as consequências psíquicas de que as vítimas sofrem.
O ser humano é tanto mais livre quanto mais conseguir não ser
vítima ou objecto dos seus instintos e necessidades exageradas.
Confunde-se liberdade com libertinagem à margem da
responsabilidade social e natural. Dá-se uma desnaturalização do
órgão que em vez de passar a existir em função dum organismo ou de
um todo, em função duma necessidade telelógica, passa a existir em
função de si mesmo como acontece com o tumor canceroso.
Não será que nos encontramos a caminho do embrutecimento? Os
nossos avós ainda sabiam que “valores eram verdades morais
mergulhadas no sagrado”. Uma sociedade desorientada não quer saber
de medidas de orientação para o comportamento e menos ainda de
normas. Estas cheiram a responsabilidade ou a bafio religioso.
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
Da Alemanha
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