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16/FEV/2007
O referendo abortou e os políticos
também
Apesar das parteiras políticas interessadas no negócio do parir, o
referendo abortou. Atendendo a que a abstenção atingiu os 56,39%,
os resultados não são vinculativos. Ganhou a abstenção; não se
quer a penalização da mulher nem a morte do ser humano. Com a
abstenção dá-se uma chicotada de descrédito nos que governam. Os
resultados do dia 12.02 são um atestado de incompetência para a
nossa política. Houve menor número de votos do que mulheres com
direito de voto. O povo é Zé mas não é burro. Não vai no jogo do
gato e do rato... O referendo ao não ser vinculartivo, como tinha
sido declarado previamente, só servia para o governo descarregar a
má consciência no povo. Além disso constituia uma oportunidade
para a esquerda poder fazer propaganda de si e das suas
estrangeiradas ideologias. Para Portugal entrar para a União
Europeia ninguém perguntou a opinião dos Portugueses, quando
aderimos à moeda única também não. O zé povinho seria demasiado
ignorante para poder compreender tão enrredados interesses. Até se
tem a impressão que os que se apoderam dos destinos da nação têm
medo dum povo informado.
No jogo do faz de conta da nossa classe política atira-se a bola
ao povo porque neste assunto ela não tem nada a perder ou a ganhar
e para mais sabendo-se já de antemão que o resultado não seria
juridicamente vinculativo.
Do grupo minoritário votante 59,25% votaram pelo sim e 40,75% pelo
não. Votos em branco foram 1,25% e votos nulos 0,68%. No referendo
sobre a mesma matéria em 1998, venceu com 51,30% do não contra
48,70% do sim, tendo a abstenção sido de 58,09%.
Este referendo mais uma vez poe em evidência a fraqueza da classe
política e um povo dividido. A preco do bom senso comum evitam-se
clivagens e discussoe elucionadoras. A prevenção das causas que
conduzem ao aborto, e o apoio às mulheres grávidas em situação de
carência económica e psicológica não interessam à discussão. Se um
aborto custa 450 euros em Portugal e se se fazem 20.000 abortos
por ano, isto corresponderia a 9 milhoes de euros a ser
suportados, na integra, pela Segurança Social. É urgente a criação
de centros de aconselhamento a grávidas. Chegarão leis
“politicamente correctas” mas em que seccoes da saúde é que o Zé
terá de ir aumentar as bichas?
Estranho é que políticos pretendidamente bem pensantes se tenham
referido aos resultados do referenjdo como uma “vitória da
democracia portuguesa”. Vitória de quem sobre quem? Será que para
a esquerda a democracia são eles? Ainda se encontram encerrados
numa mentalidade mesquinha. E esta gente ainda se sente diferente
ou melhor do que Salazar! No país dos cegos quem tem um olho é
rei! A esse respeito já dizia o nosso grande escritor Guerra
Junqueiro sobre o Povo Português: "Um povo imbecilizado e
resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de
carga e besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas,
feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a
energia de um coice...".
Independentemente de se ser pelo sim ou pelo não do aborto o que
se torna vergonhoso e desonrador do povo é a atitude de gozo na
motivação, elaboração, instauração e realização do inquérito.
Portugal é, depois da Inglaterra, o país na Europa com menores
grávidas. Isto não preocupa! Noutros países fazem-se políticas de
apoio à procriação enquanto que a classe política portuguesa se
preocupa em modernizara ideologia do Zé povinho mas poupando na
educação e ensino. Enfim, estrangeirados atrasados querem-nos
estrangeiros a nós...
Discriminacao referendária
A relação ambígua que a esquerda tem com a cultura ocidental
mostarm-na também em relação aos emigrantes portugueses. O PS e o
PC impediram os emigrantes de participarem no referendo contra a
posicao do PSD E PP. Quanto aos emigrantes na EU ainda levantaram
a possibilidade de participarem atendendo a que possuem as
estruturas migrantes europeias na mão. A ambiguidade do Estado
português para com os seus emigrantes leva-o a considerá-los
expatriados pela legislação. Assim os partidos criaram o artigo
215 ponto 12 da Constituição com formulacoes aleatórias que
possibilitam a arbitrariedade nas decisoes políticas de ocasião.
Deste modo o artigo serviu para excluir os emigrantes do
referendo. Os bens júrídicos fundamentais parecem assim ao servico
da defesa da nomenclatura partidária. Em Portugal só se conseguem
maiorias discriminadoras dos emigrantes. Portugal continua um país
de estados (castas). Cidadania ainda não entrou nas cabeças de
grandíssima parte dos nossos magistrados nem dos políticos que os
legitimam.
farsa da vida!
de votos e
crenças!
dos que ontem
e hoje mandam
dos que ontem
e hoje aplaudem
só a servidão
permanece
a ilusão da
opinião também!
o arrazoado
não é o que se vê
mas o que se
é...
necessidade só
de aparecer!
farsa de
estado!
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
Da Alemanha
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