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Artigo » Hélio Bernardo Lopes

07/FEV/2007

Somos todos uns mausões

A s recentes declarações do Ministro da Economia, Manuel Pinho, que mais uma vez suscitaram polémica intensa no nosso seio, foram infelizes, acima de tudo, por terem sido feitas na China e pelo seu conteúdo e significado.

Como é evidente, os partidos, os comentadores e os sindicatos não deverão ser todos uns terríveis mausões, embora sempre procurem aproveitar os deslizes dos governantes e das mais referentes figuras públicas. É da natureza das coisas.

O erro principal de toda esta mais recente polémica está perfeitamente explicado pelas palavras, ditas a três tempos, de Francisco Vanzeller, Ângelo Correia e José Ribeiro e Castro. O primeiro, salientou uma evidência que de há muito assiste a todos: Manuel Pinho não tem uma imagem interventiva forte, muito pelo contrário. O segundo, explicou esta realidade simples: falando para chineses, os argumentos da mão de obra barata face a outros Estados europeus são inúteis. E o terceiro, por ter chamado a atenção para o aspecto politicamente inaceitável por parte de um governante português. E de facto, é descer demasiado.

Mas há um indicador realmente preocupante que nos surge por via destas polémicas declarações de Manuel Pinho: o de que os portugueses estão condenados, com este Governo ou com um outro da anterior direita, a auferir baixos salários. A nossa competitidade, reconhecimdamente inexistente, assenta nisso mesmo, ou seja, em baixos salários.

Como de há muito pude salientar, a globalização sempre acabará por nivelar por baixo, para lá de nada resolver ao nível dos graves problemas dos países mais atrasados e pobres do Mundo actual. Só um sonhador, perante quanto já se pôde ver, poderá acreditar que virá aí um futuro de prosperidade! Haverá futuro, claro está, mas de pobreza e de retorno a tempos e condições que ninguém deseja ou sufragaria. É a evidentíssima realidade, no meio da qual o Ministro da Economia é ainda o que menos importa. E quem diz este governante, diz também, por exemplo, o do Ambiente, Nunes Correia.

Hélio Bernardo Lopes

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