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30/JAN/2007
A Economia Nacionalista e a Europa dos Patriotas
Com a vitória da democracia na Europa em 1989, a ideia duma Europa
com um rosto social e democrático ganha uma dinâmica nova. Todo o
Leste Europeu se sente liberto do jugo comunista com novas
esperanças de liberdade e de justiça social.
O ocidente europeu esquece os anseios do povo para pensar apenas
em termos de estratégia militar e económica. Esquece os sonhos dos
povos passando logo à ordem do dia, ditada esta apenas pela
economia. Sem ideais aposta no liberalismo económico e nas leis do
mercado como reguladores de todas as necessidades sociais e na
capacidade do eixo da Europa (Alemanha, França, Inglaterra e em
parte Itália) para puxar o resto da caravana. Consequentemente
reduz-se o nível de vida da pequena burguesia e os direitos
sociais e tarifários do operariado.
O povo dos países da periferia, que tinha colocado grandes
esperanças no processo da unificação europeia, verifica que se
melhoram as infra-estruturas do país mas que o melhoramento do
nível de vida só beneficiou propriamente os funcionários públicos.
A Polónia dá-se conta do que se passa e protesta. Logo é vista
como factor perturbador dum processo económico de carácter
anglo-saxónico: fortalecimento da nação à custa do seu povo e da
sua cultura transferindo riqueza do povo para as grandes empresas.
Estas são a ponta de lança da nova economia na conquista do mundo.
Assim nas economias fortes processa-se um empobrecimento do povo;
dá-se, a nível popular, um nivelamento de dependência em direcção
à plataforma dos pobres das nações da periferia. Pretende-se uma
socialização da pobreza a nível internacional, um substrato comum.
À queda das conquistas socialistas no Leste segue-se no Ocidente o
processo da derrocada das conquistas laborais e sociais do
operariado.
Se o comunismo nunca partiu duma base democrática tendo sido
sempre imposto de cima torna-se agora constrangedor passar-se ao
ditado do determinismo mercantil.
A periferia é que possibilita o centro
A periferia, uma vez na União Europeia, constata que continuará
periferia; não haverá processo dinâmico... As nações mais fortes
continuam com o seu nacionalismo económico a vergar a Europa aos
seus interesses.
Nos países de leste observa-se uma crescente resistência popular,
um cepticismo perante a prática europeia em curso. Aí o povo reage
surgindo movimentos nacionalistas, que escandalizam a vizinhança
ordeira.
Ao nacionalismo estatal económico das nações ricas contrapõem-se
as tendências nacionalistas que fervilham já no subconsciente das
nações da perefiria. Nas grandes potências o povo cala porque o
governo actua de modo nacionalista. Os cidadãos da Europa rica
podem dar-se ao luxo de renunciarem ao patriotismo, conscientes de
que os seus governantes defendem com unhas e dentes os interesses
nacionais, uma economia nacionalista. Assim é fácil ser-se
liberal! Nos países marginais as elites parecem mais na disposição
de sacrificarem os interesses nacionais e culturais vivendo do dia
a dia o que provoca descontentamentos populares.
Nacionalismo inteligentemente empacotado
Um Facto: Na Alemanha é proibido vender-se aparelhos com consumo
excessivo de energia. Em Portugal comprei 3 fogões eléctricos de
cozinha para a minha casa, confiando na qualidade alemã. Depois de
os ter instalado verifiquei com admiração e consternação, ao ler
as instruções em português que havia também um aviso só em alemão.
Este indicava que aqueles fugões não podiam ser vendidos na
Alemanha devido a consumirem demasiada energia. Inteligência
saloia arrogante! Isto é exemplar para o modo de agir duma
economia nacionalista e do comportamento dos países da periferia.
E isto dá-se em plena União Europa! Para os países ainda menos
desenvolvidos irá então o ferro-velho! Na Alemanha teria dado
menos dinheiro por um fogão de menor consumo de energia do que dei
em Portugal por aquele e com a agravante de que a energia em
Portugal é mais cara do que na Alemanha. Seria de esperar dos
nossos diplomatas mais atenção à tecnologia e às leis na defesa
dos interesses nacionais. (Será este um serviço de Portugal à EDP?!...)
Os cidadãos europeus sentem na prática uma política europeia
contra as pessoas. Uma União Europeia só interessada na economia
dos mais fortes é bífida e fomentará a demagogia. No fundo temos
demagogos de gravata contra os demagogos do pé descalço! Meio
mundo a enganar o outro meio.
Não se constrói futuro duradouro baseado apenas numa estratégia da
força das instituições europeias e de nações fortes com as outras
a elas atreladas. Precisa-se de uma cooperação económica, política
e cultural menos hipócrita e nacionalista. Uma Europa forte e
justa não pode ser construída apenas com nações ricas e
instituições fortes à custa dum povo enfraquecido. O povo paciente
e mole tem-se contentado com parolen de liberdade e de mercado.
Por quanto tempo? A classe média tem sido sistematicamente
expropriada em favor da grande indústria e em benefício dum Estado
irresponsavelmente paternalista (comunismo pela porta traseira!) e
à custa duma população cada vez mais “proletária”! Não há justiça
social nem interesse em dar-lhe resposta. Quer-se uma população
assalariada disponível a nível nacional e disciplinada pela
concorrência da imigração carenciada importada. Ao nível de Estado
exportam-se os produtos industriais de alta qualidade e a nível de
nação importa-se a pobreza global. Uma forma de escravidão
refinada! Esta imigração barata possibilita, através das suas
remessas, às elites das suas nações de origem a compra de produtos
tecnológicos caros. A pobreza do patamar baixo anima o mercado!
Tudo comércio legítimo, mas muito longe duma justiça humana
aceitável. Tudo em nome da democracia, da liberdade, da
solidariedade e do liberalismo do mercado. Para iludir o espírito
crítico sobre o presente basta, para quem se julga alguém,
recorrer a uma crítica apelativa e repetitiva de certos lugares
comuns das vergonhas da nossa história e instituições, na omissão
benigna do presente!
Na União Europeia, uma tal prática democrática começa a dar já
sinais de não convencer e a dar argumentos ao populismo de
esquerda e de direita, já pronto para atacar a democracia. Se
compararmos o tempo e a circunscrição da democracia com a História
e com o mundo bem como a realidade do que acontece fora da
civilização ocidental, a democracia correrá perigo de se tornar
num episódio esporádico. Além dos problemas de casa criam-se
outros promovendo mundivisões alérgicas à democracia em nome da
tolerância e dum internacionalismo progressista irresponsável. A
ingenuidade política e social é hoje tal que não vê a trave nos
olhos dos outros para se preocuparem com o cisco nos próprios
olhos. As pessoas do século XXI querem felicidade, não chega o pão
e a ideologia.
Não basta que à monarquia hereditária se tenha seguido a
alternância partidária no governo. Se se quer uma consciência
democrática no povo para lá de preconceitos e de estereótipos é
preciso fomentar-se uma democracia plebiscitária em que o povo
tenha de reflectir sobre aquilo que decide porque lhe toca
directamente e não de abdicar do saber para seguir o patuá dum
partido ou ideologia. O plebiscito obrigaria os políticos a
descerem ao povoado e a viverem em discussão séria permanente com
o cidadão com a consequente humanização da política e dos
políticos e a responsabilização do povo. Não é suficiente ópio
partidário nem tão-pouco apenas transmitir saber sobre democracia
como querem muitos políticos mas de fomentar uma atitude
participativa nobilitante. A representação política cederia em
favor duma acção, duma consciência política de povo adulto. Porque
nao seguir o exemplo da Suiça?
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
Da Alemanha
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