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20/JAN/2007
Energia Biológica – Novas Perspectivas para a Aldeia
Agricultores de Volta
Os conflitos do futuro
dar-se-ão na luta pelas fontes de energia. A Rússia não é de
palavra e o mundo do petróleo árabe quer, em contrapartida, a
exportação da religião e do terrorismo.
Finamente, com a
globalização, o terceiro mundo elevará o seu nível de vida. Isto
significará uma corrida cada vez mais desenfreada às fontes de
energia. A China e a Índia serão buracos sem fundo, tornando a
fome de energia cada vez maior.
A Europa para não se
tornar cada vez mais dependente terá de fomentar fontes de energia
alternativa. As plantações de colza,
que antes serviam de forragem para o gado, cada vez são mais
alargadas para aproveitamento do óleo de
colza, extraído das suas sementes -
o chamado “gasóleo biológico”.
O preço a pagar pela
independência do fornecimento de energia do estrangeiro será muito
alto. A plantação de colza na Alemanha
aumenta de dia para dia. Se em 1998 se produziram 50 000 toneladas
de óleo de colza, em 2006 a produção
subiu para 3,4 milhões. Hoje são usadas 13% da área arável da
Alemanha para a produção de matéria-prima e em 2030 poderão já ser
25%, o que aumentará muito a concorrência entre a produção
alimentar e a produção de energia biológica.
Isto terá incisivas
consequências benéficas para a agricultura e para a silvicultura e
colateralmente o encarecimento dos produtos alimentares. Chamará
as atenções para o campo.
A produção de energia
biológica expandirá de tal modo que reprimirá substancialmente os
terrenos de cultivo alimentar através do alargamento do cultivo de
plantas para fins energéticos. A concorrência entre os cereais
alimentícios e as plantas para a energia e para outras
matérias-primas vegetais será cada vez mais dura, como opina a
universidade de Giessen na Alemanha.
Cereais tornar-se-ão muito mais caros o que provocará um
encarecimento progressivo dos preços para a alimentação. A
produção de energia cada vez concorrerá mais com os géneros
alimentícios. A agricultura e a silvicultura tornar-se-ão
actividades compensadoras. Quem tiver dinheiro líquido para
investir a longo prazo terá aqui, penso eu, um campo de
investimento rentável. Seria
miopia continuar a entregar os montes alentejanos de graça aos
espanhóis.
A gasificação de massa
biológica que aproveita madeira e restos de plantas tornar-se-á o
ramo mais ecológico e económico do futuro.
A concorrência animará
o negócio. Os preços subirão e então a Europa já não continuará a
construir bloqueios à importação de produtos agrários do terceiro
mundo.
No futuro mais que o
diesel biológico serão muito mais eficientes e rentáveis
combustíveis biológicos a partir da madeira e das plantas.
Isto terá como
consequência a reflorestação das montanhas. O agricultor e o
silvicultor serão então bem compensados.
Estaremos perante o
início do regresso do homem da cidade para o campo?
Oxalá!...
Facto é que os velhos
valores da natureza estão de regresso…
Porque se persiste, a
nível político e social, em continuar a andar atrás do
acontecimento?
Neste contexto
recomendo a leitura de “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett
e “A Ciddade e as Serras” de Eça. Urge
a re-humanização do homem da polis, do
homo politicus.
Há mais que a
alternativa de escolher entre “a horrenda imundície da gente” da
aldeia com a sua “bem boa terra”, como sentenciava Eça, ou
continuar a viver “no descampado do sentimentalismo”, na imundície
duma mentalidade citadina proletária.
As novas perspectivas
do campo poderão tornar-se oportunidade para uma nova filosofia e
uma nova maneira de ser, estar e pensar. Há que abandonar a
fixação na dialéctica natural-social
para se passar a integrar os dois pólos.
A leitura de “Viagens
na Minha Terra” com a sua inclinação
dialógica preparar-nos-á para compreender a necessidade do
diálogo entre o campo e a cidade. Garrett chama-nos a atenção para
o conflituoso entre o Homem Natural e o Homem Social e para a
dialéctica entre o frade e o barão, entre o idealismo religioso da
religião / campo e o materialismo destemperado do barão, o
partidarismo dos boys da cidade, que
se tornaram nos herdeiros do sujeito burguês utilitário artificial
das aparências.
Concluindo:
Os barões voltarão à aldeia
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
Da Alemanha
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