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15/DEZ/2006
Infelizes Comparações
Será sempre muito difícil ultrapassar
o estado a que Portugal chegou, porque o nosso modo de actuar é
sempre feito em função das modas dominantes na nossa vida social,
seja na interna ou na internacional. Ilustro esta realidade com
três casos passados entre nós muito recentemente.
Em primeiro lugar, um recente debate que teve lugar no programa,
CHOQUE IDEOLÓGICO, com dois dos novos convidados desta segunda
série, surgida depois do último Verão.
Já pelo final do debate, um dos convidados foi de uma extrema
infelicidade, ao referir-se a Hugo Chávez como sendo o pior da
esquerda sul-americana!
Como é possível operar-se uma crítica deste tipo, num tempo em que
crescem a miséria e a violação de direitos humanos um pouco por
todo lado, ao mesmo tempo que mingua a esperança num futuro
minimamente melhor, consequência natural da implantação geral do
modelo neoliberal, potenciado pela globalização?!
Com grande oportunidade, o outro convidado lembrou o que se vinha
dando com Pinochet, entretanto ainda na nossa companhia, sem que
quase nada da enormíssima responsabilidade que sobre si impendia
tivesse um ínfimo de consequências! E faltou-lhe recordar o que se
passou com o sérvio e cristão ortodoxo, Slobodan Milosevic, para
com quem o Tribunal Penal Internacional não teve nunca a
preocupação clínica do seu congénere chileno...
Em segundo lugar, por acaso ainda em torno de Hugo Chávez, a
igualmente infeliz tirada de Ricardo Costa, naquela reportagem
sobre a Fundação Mário Soares, mostrando-se como que espantado com
a admiraração de Mário Soares por Hugo Chávez! Como se Hugo Chávez
seja alguém que tenha de receber da parte dos políticos
supostamente correctos uma referenciação de louco, ou de imbecil,
ou de idiota!!
Finalmente, a curta entrevista de Almeida Santos na SIC Notícias,
com Mário Crespo, onde dissertou sobre algo do que escreveu na sua
obra recente, em dois volumes. Palavras que lá foram incidir, como
tinha de ser, sobre Salazar.
É claro que de Almeida Santos, numa matéria como a que ali
abordou, não se pode esperar grande isenção e imparcialidade,
porque é essa a natureza das coisas que envolvem protagonismo
político. Muito mais quando o protagonismo é de quem opera a
apreciação e em que, com ou sem razão, se foi sendo acusado de
responsabilidade política e histórica.
Mas o que mais me admirou, mau grado de há muito ter compreendido
este modo de fazer política, foi a atitude de completa
subserviência de soberania em face do que uma maioria, de resto
sem grande relevância internacional, possa decidir no âmbito dos
órgãos da designada Comunidade Internacional!
Nos termos do que ali referiu de novo, as coisas não são certas ou
erradas por estarem certas ou erradas, mas porque uma maioria, sem
um ínfimo valor em matéria de credibilidade geral, assim as acha
certas ou erradas! Ou seja: se agora as Nações Unidas decidissem
que os países com Produto Interno Bruto inferior a certo valor
teriam de fundir-se com um ou mais dos seus Estados vizinhos, pois
lá iríamos juntarnos aos espanhóis, porventura também com os
franceses!! Tudo seria surgir uma tal decisão por parta das Nações
Unidas, e ela faria História!!!
Tenho pena de não conhecer Almeida Santos, porque sem dúvida muito
teria para aprender. Mas não tenho, também por isso, a
oportunidade de lhe poder ofertar o excepcional texto de Eric
Frattini, ONU - História da Corrupção, por onde poderia tomar
conhecimento do que por ali sempre se passou, e de como a
credibilidade de tal instituição é verdadeiramente nula. E já
agora: porque será que as Nações Unidas nunca resolveram os casos
do País Basco, da Irlanda do Norte, da Coreia do Norte, de
Gibraltar, das Malvinas, de Cabinda, da negação do Holocausto, por
aí fora? E quem era pior e fez pior: Américo Thomaz ou Augusto
Pinochet? E foi o primeiro reintegrado na nossa Marinha? E não
recebeu o segundo as mais altas honrarias militares do seu País,
até com a inacreditável e subserviente presença da socialista que
ali sobraça a pasta da Defesa Nacional? Portanto...
Hélio Bernado Lopes
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