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11/DEZ/2006
Cristianismo – O grupo religioso mais
perseguido no mundo
Sob a capa da religião comete-se muita violência e escondem-se
muitos conflitos e mazelas...
200 milhões de cristãos são actualmente discriminados ou
perseguidos em 50 dos 200 Estados do mundo. Segundo estatísticas
sérias a perseguição religiosa aumenta cada vez mais. 80% dos
perseguidos ou discriminados são cristãos, partindo-se ultimamente
mesmo de 90%. (Nesta exposição refiro-me aos cristãos por serem os
mais perseguidos).
A perseguição é mais dura em estados muçulmanos, porque esta
religião aspira à hegemonia universal, e em estados ateístas ou
comunistas como é o caso da Coreia do Norte e da China que
consideram o cristianismo como perigo para o Estado. Estes estados
de cunho marxista não aceitam a soberania autónoma do indivíduo,
reduzem o indivíduo a súbdito, a mero instrumento da colectividade
de que o Estado é o senhor absoluto e pode dispor. O socialismo
marxista sempre considerou o cristianismo como o seu inimigo
figadal atendendo a que este considera a pessoa como intocável na
sua dignidade humana enquanto que o socialismo põe a tónica no
colectivo vendo o indivíduo como objecto em função do colectivo.
Na China muitos são obrigados a viver escondidos na ilegalidade
das igrejas caseiras.
Na ditadura ateia da Coreia do Norte, nos últimos quatro anos
desapareceram, sem deixar rasto mais de 2.000 comunidades cristãs
com 300.000 cristãos (segundo o que informou a Deputada Erika
Steinbach, no seu relatório no Parlamento alemão). Tem-se
informação de excussões nesse regime de terror e da existência de
campos de concentração para educação forçada onde cristãos são
aprisionados. Os cristãos são vistos como risco de segurança para
o estado, vendo-se muitos obrigados a abandonar a religião ou a
fugir.
A Declaração dos Direitos Humanos da Organização da Conferência
Islâmica do Cairo questiona os direitos religiosos subjugando-os à
scharia (Lei islâmica). Esta, além da discriminação para com
outras religiões, determina a pena de morte para quem abjure do
Islão…
A situação dos cristãos e dos alevitas na Turquia é dramática. Nos
últimos 90 anos a percentagem dos cristãos reduziu-se, através de
perseguição e do genocídio, de 30% para 0,2% da população turca.
Mesmo onde há leis que proíbem a perseguição, a discriminação
continua através dum ambiente totalmente intolerante. Em Fevereiro
passado foi aí assassinado o padre católico Andrea Santoro. O
problema é que nem sequer o Papa pode levantar a voz na defesa dos
cristãos porque automaticamente estes seriam expostos a maiores
perseguições.
Também os hindus na Índia perseguem os cristãos violando freiras
mesmo em grupo e matando padres. O que é mais estranho baseiam a
sua atitude em Mahatma Gandhi que era contra a missionação dizendo
que os missionários deviam deixar a Índia. Ele não podia aceitar
que os hindus que se convertiam ao cristianismo deixassem de ser
vegetarianos e vestissem à moda europeia até com chapéu.
No século XX houve mais cristãos mártires do que nos primeiros
dois mil anos da sua existência. As perseguições muçulmanas e dos
ateus marxistas contra os cristãos foram extremas. Em muitas
nações continua a ser dramática a sua situação sem que haja
solidariedade para com eles, mesmo da parte dos países ocidentais.
O Ocidente interessado apenas na exploração e expansão económica
cala ou põe à disposição a própria cultura. Tudo o que não é
mercadoria estorva. Por outro lado o terceiro mundo considera o
ocidente cristão, identificando a sua exploração com o
Cristianismo. Uma situação complicada!...
A liberdade religiosa é um direito humano individual que se baseia
na dignidade humana. Nas relações diplomáticas e comerciais os
direitos humanos não têm feito parte das convenções bilaterais.
Prefere-se dar asilo a perseguidos e assim manter a influência nos
grupos estabelecidos nesses países, do que pressionar uma relação
humana de justiça entre eles.
Ainda há pouco no Afeganistão foi condenado à morte Abdul Rahman
pelo facto de se ter convertido ao cristianismo. A Itália
concedeu-lhe porém asilo.
Na Nigéria, no sul do país vivem sobretudo cristãos que se dedicam
à agricultura. Os muçulmanos vivem do comércio e da criação de
gado, o que lhes possibilita melhor vida do que aos cristãos. As
tenções entre muçulmanos e cristãos acentuaram-se pelo facto da
agricultura ter piorado devido à falta de água para a cultura
intensiva e devido ao facto dos bens de consumo que os muçulmanos
vendem se terem tornado muitíssimo caros. Além disso emigraram
muitos nigerianos muçulmanos do norte para o sul do país. O Estado
não resolve os conflitos surgidos e os políticos de um e outro
grupo aproveitam-se da situação para agitar os grupos atribuindo
cada um a culpa à outra religião. Mais de 1.000 pessoas perderam a
vida sendo incendiadas igrejas e mesquitas. Entretanto entraram em
diálogo chegando à conclusão que o problema não era religioso e
chegaram a compromissos. Este é um exemplo de como os conflitos
surgem e de como a religião é aproveitada para os explicar!
O direito à liberdade de religião é fundamental porque toca e
informa muitos outros valores como a vida, o sentido, protecção,
arte e cultura. Uma religião que estreite os horizontes, coacte,
que meta medo, que fomente a violência e conduza à guerra não
merece esse nome!
As religiões são parte essencial das culturas pelo que foram e são
envolvidas na guerra. Dá-se um uso abusivo de Deus. O Deus dos
cristãos ao ser o Deus criador de todo o género humano não permite
o abuso de qualquer ser humano atendendo a que este é todo irmão,
filho do mesmo pai independentemente de crença ou não crença. Os
que vivem da guerra e os Estados não querem limites ao seu poder
sobre o ser humano. Não o querem soberano, querem-no súbdito,
querem-no inteiro. Para melhor o dominarem servem-se e abusam da
religião porque sabem que esta mexe com todo o ser. Reduzir a
religião ao mutismo ou instrumentalizá-la é a alternativa que
escolhem
A razão de tanta perseguição ao cristianismo tem a ver com uma
força inerente a todo o regime absolutista, com a dialéctica entre
os regimes mais baseados no respeito pelos direitos individuais e
a forma de estado colectivista que pela sua essência não suporta
nem a pessoa soberana nem Deus, o rival!
Na Europa, devido ao socialismo marxista militante contra o
cristianismo e à influência maçónica nos governos não há
solidariedade para com os cristãos perseguidos. A política, nas
suas relações bilaterais não toma em conta o aspecto cultural
religioso, nem o equilíbrio nestas relações, o que explica a
expansão das mesquitas islâmicas na Europa e a proibição de
construção de igrejas em estados de população islâmica como é o
caso da Turquia. A indiferença dos conservadores neste sector e o
fanatismo secularista contra a religião cristã na Europa têm
tirado bons dividendos na sua estratégia do “divide et impera”!
Assim se compreende que não haja solidariedade com os cristãos
perseguidos, sendo ignorada a sua situação na opinião pública. Os
judeus foram muito perseguidos e os cristãos são-no também por
serem portadores duma vida exigente que questiona o satus quo,
sendo, por isso tidos como uma ameaça!
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
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