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19/OUT/2006
União entre Portugal e Espanha! – De
Couto para Província?
Num País de Sonhadores aparece sempre um D. Sebastião
A revista espanhola El Tiempo apresentava ontem, 17.10.06, os
resultados duma sondagem feita algures em Espanha em que 45,6 %
dos espanhóis se manifestam pela fusão de Portugal e Espanha.
Destes, 43,4% defende que o novo país se chame Espanha enquanto
que 39,4 % opta pelo nome Ibéria. A maioria 80 % quer a capital
fique em Madrid e 3,3% favorecem Lisboa. Metade dos inquiridos
quer o regime monárquico espanhol, 30,2 % é favorável a uma
República.
O mais grave é que, aquando da visita de Cavaco Silva a Espanha,
uma sondagem certamente não representativa do semanário português
Sol referia que 28 % dos portugueses são pela integração de
Portugal e Espanha num único Estado.
Estes são inquéritos sem credebilidade mas que podem revelar os
estados de alma dos dois lados da fronteira.
Para a Espanha seria esta uma maneira fácil de resolver os seus
problemas políticos internos ainda não arrumados duma nação
multinacional politicamente ainda não estabilizada. Esta poderia
ser uma estratégia indirecta de resolverem os problemas da sua
casa numa de mais valia.
Olivença já lá está não tendo problemas com ela. O contrário de dá
com Catalães, Bascos e Galegos .
Para Portugal continua a restar-lhe o sonho. Num país de
sonhadores há sempre o recurso a um D. Sebastião que resolve
aquilo que deveria ser resolvido por eles.
As reportagens do Tempo e do Sol são de questionar-se. Não serão
estas sondagens artimanhas de nacionalistas ou de progressistas?
…. De patriotas certamente que não.
Para os nominalistas portugueses não haveria problemas porque
viriam na Espanha o D. Sebastião e ficariam de espírito agradecido
ao naco de pão numa atitude semelhante ao cão fiel não à raça mas
a quem lhe dá o pão. Esta atitude parece-me mais de progressistas.
De resto, um ataque ao sentimento nacional. Os que favorecem a
opção pela eventual união entre os dois países vizinhos
fundamentam-no com os benefícios económicos. Sujeitar-se-iam a ser
espanhóis porque lá se ganha mais e se paga menos pelos serviços e
pela energia. Esta posição é própria daqueles que se comportam
como a avestruz que quando vê o perigo enterra a cabeça na areia
na esperança de que o problema passe. Só que a receita para tais
seria sonhar menos e trabalhar mais. Só conta o Mamon.
Por outro lado a Espanha não aguentaria tanto sonho nem com um
povo em que cada um e cada qual é um governo! A guerra da nova
Aljubarrota que Espanha trava é a económica e os seus generais já
se encontram posicionados por todo o Portugal (o que não condeno
porque também criam riqueza). Naturalmente que também levantarão o
tributo da antiga afronta e o enviarão em desagravo para Espanha.
Este é o problema dos pequenos. O que não têm nos músculos terão
que o ter no cérebro, na organização e na disciplina… Uma
desilusão não se resolve com uma nova ilusão nem só com greves. O
que Portugal tem é de valorizar a sua maça cinzenta que é muito
boa e aplicá-la. Então, a exemplo duma Irlanda, duma Suiça
poderemos de novo dar mundos ao mundo, podendo estar mais
satisfeitos connosco e suportar melhor a leviandade das nossas
elites sem termos de as lançar ao Tejo para nos subjugar a Madrid.
Primeiro teremos que unir Portugal, unir o povo acabando com os
senhorios, temos que unir o interior e o litoral, a cidade e a
aldeia. Para isso é necessário dividir Portugal em duas ou três
regiões naturais, temos de reduzir os deputados para metade e
tornar as administrações distritais e camarárias mais eficientes e
organizadas em planos supra-distritais.
Porque tropeçar na Espanha se já estamos nos braços da Europa. A
maior parte da soberania já a demos à União Europeia. Ou já não
chegam as comendas?
De tudo isto uma coisa é certa, as nossas escolas têm que ensinar
mais história de Portugal onde se aprenda a ser português. Ou já
estão esquecidos da batalha de S. Mamede e da vontade popular,
sempre repetida contra os tais das comendas, frente às varandas
reais?
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
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