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12/OUT/2006
Islão e ocidente - Um diálogo
desigual e hipócrita
Quando o terrorismo levanta a voz, as democracias européias tremem
e os responsáveis desconversam. Então o ato ritual é comum e o
mesmo numa liturgia uníssona: os governos declaram que o problema
se reduz apenas a extremistas; os políticos das várias cores
engraxam o povo e os terroristas passando as velhas contas do seu
rosário já desgastado na repetição das palavras mágicas “diálogo”
e “tolerância”; os profissionais do saber escusam-se dizendo que
algures há um potencial movimento de muçulmanos moderados abertos
ao modernismo; os jornais para abrandarem as possíveis fervuras e
a sua incapacidade de raciocinar calam o problema ou dão-lhe a
volta com a argumentação das cruzadas cristãs; o Zé-povinho mete o
rabo entre as pernas, diz Ámen e reza a Santa Bárbara; e alguns
que leram o Corão e as Instruções do Profeta (Hadites) murmuram
baixinho a sacrílega fórmula: o mundo islâmico não é compatível
com o mundo ocidental. Estes, destoando no meio de tanta harmonia,
de tanta hipocrisia, na abnegação do saber e na cegueira do não
querer ver, são tratados como os antigos mensageiros anunciadores
de guerra.
Duas sociedades paralelas em diálogo paralelo!
De resto, tudo ouviu dizer, ninguém leu, ninguém se informou pois
saber compromete! No caso chega a opinião; aquela verdade que
alimenta o povo e é filha da ignorância ou da má intenção.
Também dos sinos das igrejas e dos minaretes das mesquitas ressoam
só vozes de paz celestial. Também eles não estão e não vêem, só
ouvem o barulho da turba que passa não se dando conta donde ela
vem e para onde ela vai!
É uma conversa de autistas em que cada um dos contundentes se
dirige aos seus adereçados. O Ocidente fala para o seu rebanho
indiferente e os Islamistas para os seus soldados e para o seu
povo de plantão! Duas sociedades paralelas em diálogo paralelo!
Isto não é a terceira guerra mundial, não é o Islão contra o
Ocidente, é apenas uma espécie de guerrilha como nos tempos
lusitanos entre os prosélitos de Viriato (com a sua estratégia de
guerrilha) e as tropas dos generais de Roma. Hoje como outrora
“tecnologias” desiguais. Tal como outrora as linhas de combate não
estão demarcadas. As fronteiras são culturais, ideológicas /
religiosas não se podendo localizar o inimigo. Se então o
“petróleo” cativava Roma, hoje ele é limitado e o que prevalece e
permanece é a cultura, na guerrilha de alfobres plantados... à
imagem dos outros em terras iugoslavas!
Direitos individuais sacrificados aos direitos culturais
A ação e a reação do mundo muçulmano ao mundo ocidental têm sido
profícuas confirmando a sua convicção e entusiasmo no seu
empreendimento mais prometedor em termos de futuro. Enquanto que o
Ocidente se preocupa em encher os cofres dos bancos na expansão
econômica e na exploração das fontes de riqueza material, os
muçulmanos dedicam-se à expansão da sua cultura, de forma
agressiva na África e na Ásia e de forma imperceptível na Europa.
Duas guerras, duas estratégias, uma perspectiva: ganhar. Os
europeus ganham dinheiro, ganham o presente e ganham a má
consciência; os muçulmanos por seu lado ganham respeito, ganham o
povo, ganham o futuro!...
Os Estados não tendo ainda superado a consciência tribal vivem do
negócio multicultural. Cada um na sua coutada, com o seu rebanho
como presa não está interessado na defesa dos direitos humanos. A
Europa mente quando diz que defende os direitos humanos porque os
não transforma em moeda comerciável, porque os não inclui nas suas
relações e contratos bilaterais, aquilo que faz a nível econômico!
Assim, o mundo ocidental não se preocupa com a vida das pessoas e
aceita tudo. Uma mulher da arábia pode testemunhar a opressão da
mulher oprimida através do seu lenço de cabeça mas a mulher
européia não pode testemunhar a sua “liberdade” passeando em
bikini no Irão, na Arábia. Delegações européias vergam-se às
exigências muçulmanas colocando o seu lenço na cabeça quando os
visitam e até acham engraçado ver o mundo daquela perspectiva.
Eles porém, quando vêm cá, chegam a boicotar o uso de álcool mesmo
aos parceiros europeus em recepções bilaterais. Na Europa exigem a
construção de mesquitas até com minarete e na sua terra proíbem as
organizações cristãs. O Ocidente tem de ir ao encontro das
exigências muçulmanas a ponto de ceder o próprio caráter mas eles
não transigem em nada. Podem organizar as suas instituições e
mesquitas em toda a Europa sem contrapartidas. Prisioneiros
muçulmanos chegaram a exigir numa cadeia que conheço na Alemanha
um cozinheiro muçulmano porque a comida preparada por cristãos era
impura. Interessante é que a Turquia, que se apresenta como a
moderníssima entre os povos muçulmanos, não permite a expressão
pública religiosa a outras religiões que não sejam muçulmanas. Lá
só é permitido um único padre católico para cuidar dos católicos
da Turquia e do Irão. Cristãos que se atrevam a missionar na
Turquia estão sujeitos a prisão até três anos. O toque de sinos é
proibido em território turco. Há igrejas das quais foram feitos
currais. Aos cristãos é-lhes proibido renovar ou construir
igrejas. Ainda hoje, os cristãos na Turquia são identificáveis com
o número 31 no Bilhete de Identidade. A Alemanha permite que
anualmente os consulados turcos mandem para cá 300 Imames (chefes
religiosos) por ano para garantirem a missionação autêntica. A
Arábia – Saudita que não permite o exercício da religião cristã
sequer privadamente em casa, financia em toda a Europa a
construção de mesquitas com minaretes.
O Islão também expande na Europa devido a uma certa hostilidade
de políticos europeus contra a cultura cristã
Embora muitos políticos europeus sejam religiosamente indiferentes
deveriam empenhar-se na defesa da expansão do cristianismo nestes
estados porque a recusa do cristianismo corresponde à recusa da
cultura européia, até porque na sua concepção só o homo religiosos
conta. Sim à construção de mesquitas na Europa e não à construção
de igrejas na Turquia - isso não pode ser! Assim se renuncia a um
instrumento das convenções bilaterais que fomentaria a democracia
nos países islâmicos. Seria fatal se o Islão se expandisse na
Europa à custa duma certa hostilidade de políticos europeus contra
o cristianismo. Aqui a questão não é religiosa é cultural! Quem
não vê isso é cego. Em toda a discussão é propositadamente
ignorado que o Islão é um sistema religioso que se identifica com
o sistema político.
Se os políticos tomassem a sua cultura e a sua populacho a sério
não só cederiam aos desejos muçulmanos mas teriam de exigir
bilateralidade nas relações. Deste modo os grupos lobbies
muçulmanos na Europa teriam de se empenhar e embarcar no diálogo e
não apenas formular exigências.
A arte de se sentir melindrado
A reação do mundo muçulmano às caricaturas sobre Maomé e à aula
dada por Bento XVI em Ratisbona mostra sistema, competência e boa
organização. A reação do mundo ocidental às provocações islamistas
e às exigências dos grupos muçulmanos na Europa mostraram
incompetência, desrespeito pelo parceiro cuja filosofia
desconhecem e falta de espinha dorsal! Por toda a parte só se
observa cedência e má figura em toda a linha. Analfabetismo e
indiferença quanto aos valores religiosos e seculares! Se o
islamismo já pode muito, o medo e a ignorância ajudam-no.
Muitos preocupam-se com o sentimento muçulmano ofendido. O
sentimento ferido até parece verdadeiro e autêntico pelo fato de
ser sentimento. Por isso tem carta branca para tudo e exige logo
uma contra-ofensiva de atos de desagravo da parte européia. Uns e
outros esquecem porém que para muitíssimos muçulmanos a existência
do cristianismo já é uma ofensa, que a existência de Israel é uma
injúria, e que os Estados Unidos da América constituem um insulto
diabólico.
Se não houvesse tanta cobardia da parte dos europeus certamente
que os irmãos muçulmanos nos respeitariam mais.
Resultado: Uma cedência só deve acontecer de forma recíproca para
que se possam desenvolver processos de diálogo sério e se
possibilitem mudanças nos estados islâmicos.
António da
Cunha Duarte Justo
http://blog.comunidades.net/justo
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