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04/OUT/2006
Salazar no Museu
Um Portugal cada vez menos ninho de enjeitados e de Cucos…
Da Ideia que por aí corre sobre a fundação dum Museu a Salazar em
Santa Comba Dão torna-se depreensível a necessidade duma discussão
sobre um passado (Sec. XX) mal digerido. O mais importante da
ideia será discutir uma história por fazer.
Contra a iniciativa falam os interesses que se escondem por detrás
do tempo. O tema Salazar, sujeito à demonização e ao
enaltecimento, tem-se mantido no nevoeiro do tabu. Este ajuda a
criar as distâncias e a encobrir os erros crassos e más intenções
cometidas com a descolonização. Os refugiados da descolonização
que o digam, bem como muitos antigos soldados que não vêem o tempo
de serviço onerado na sua reforma! Uns fizeram o jeito e os outros
pagam as favas. Uns apostaram na ideologia e os outros pagaram-na.
Esta matéria é tabu porque os “heróis” da descolonização ainda
estão vivos e isso iria implicar com o seu nimbo e com os seus
interesses organizados em “Companhias de responsabilidade
limitada”. Além disso querem-se santos de cara lavada. Uma
democracia sem santos faltar-lhe-ia a perspectiva da perenidade.
Os laboratórios científicos precisam de fundos do Estado, ou
melhor, dos governos, e a imprensa precisa de dinheiro e de
ambiente o que torna difícil uma discussão séria que não
instrumentalizasse nem Salazar nem os revolucionários de Abril.
Tanto um regime como o outro têm aspectos positivos e negativos,
independentemente da problemática das vítimas e dos aproveitadores
de um e de outro regime. Só falando é que a gente se entende e
aprende. Seria óbvia uma discussão aberta e descomplexada que
deixasse de servir unicamente interesses limitados para passar a
servir os interesses do povo, de Portugal. Talvez a geração mais
nova tenha dentes para assumir tal empresa contribuindo para que
Portugal se torne cada vez menos ninho de enjeitados e de cucos do
poder…
Quem governa tem e deve ter o direito de errar e também de apostar
no que não agrade à maioria. Errar é humano! Logo, se errar é
humano, o verdadeiro Homem tem aqui a oportunidade de demonstrar
que o é. Neste caso seriam homens divinos porque o povo não dá
prémio a quem se confessa nem a quem reconhece que errou! Porque
não começar já a construir um futuro novo? Ou será que a em
democracia se vive melhor com homens softies e com viragos.
Em todo o caso não há que temer porque a justiça sempre teve os
olhos vendados!...
Não é tarde para começar e investir mais individual e
nacionalmente para que o povo cresça e apareça e passe a deixar de
ser lamuriento e saudosista.
O empreendimento a começar não poderá reduzir-se a descartar os
trunfos que cada regime usa no seu instinto de auto-afirmação, mas
sobretudo, levar o povo a compreender melhor como se faz a
História e motivar mais gente a fazer história para termos menos
povo a sofrê-la. Tudo isto na consciência que a instituição sendo
embora imperfeita é necessária, à sua maneira em cada época. .
Um Museu sobre Salazar! Para uns uma ideia peregrina, para outros
um atentado, uma bênção ou ainda uma questão indiferente! É
natural que Santa Comba Dão e os iniciadores da ideia do Museu
sobre Salazar tiveram uma ideia luminosa que virá em benefício do
concelho.
Aqui não se trata só de enterrar Salazar no museu ou de o
valorizar. A questão mais importante será o detalhe, isto é a
concepção base na efectivação do museu.
De resto, Santa Comba Dão já está a ganhar!...
António da
Cunha Duarte Justo
Teólogo
http://blog.comunidades.net/justo
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