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05/OUT/2006
O Bem e o Mal... E Portugal?
O bem e o mal; abertura ou fechamento; salazarismo e
anti-salazarismo; privatização ou nacionalização; Estado maior ou
Estado menor; se ficar o “bicho” come, se correr o “bicho” pega.
Tudo isto são questões que são colocadas no quotidiano ao povo
português, algumas mais recentes outras já bem antigas e não são
poucas as teorias divergentes e os argumentos convincentes que se
lhe apregoam, embasados em estudos científicos, outros de origem
em pesquisas universitárias, alguns provenientes na ideologia
política de seus autores e ainda outros, fruto da experiência de
vida dos cidadãos. Mas, agora pergunta-se: O que se apresenta
melhor para o país em que vivemos no momento? Portugal encontra-se
numa encruzilhada histórica. Se, por sua vez, estamos convictos
que o ingresso no espaço europeu foi um passo indispensável à
modernização do país e à sua integração continental, também temos
que admitir que, por diversas razões, a nossa adesão não recebeu,
sob o aspecto económico, o tratamento mais adequado à projecção do
nosso futuro como nação. Há hiatos muito graves que foram se
formando com o passar dos anos e o direccionamento dos subsídios
comunitários não atingiu a tão propalada igualdade européia que
nos foi prometida e na qual milhões de portugueses acreditavam.
Houve falta de planeamento ou simplesmente desvio de recursos para
finalidades que não as projectadas? Houveram previsões falsas ou
falta de capacidade para delinear o que seria bom para a saúde
económica do país?
Está claro que, no momento presente da economia portuguesa, o
Estado encontra-se demasiadamente pesado comparativamente com o
PIB que produz, levando-nos à conclusão de que há funcionários
públicos a mais, mas ainda constata-se que, em muitos dos serviços
essenciais aos quais o poder público não pode nem deve abdicar, a
falta de recursos humanos é constrangedora, não permitindo a sua
prestação às camadas populares e criando desigualdades
inaceitáveis. Há ainda que considerar que, a simples demissão de
servidores públicos poderá acarretar problemas sociais muito
graves, pois não há oferta de empregos que permita a absorção da
mão de obra eventualmente disponibilizada. Também o remanejamento
desses funcionários públicos excedentes para outras actividades do
Estado, poderá acarretar sérios problemas no que respeita à
qualidade dos serviços prestados, visto que ao serem recolocados
em novas funções, tais funcionários, não estarão devidamente
preparados tecnicamente para as desempenhar, podendo causar um
estrangulamento desses mesmos serviços.
Temos muito o que perguntar e outro tanto o que responder, mas no
momento em que, mais uma vez, os intelectuais e os homens da
ciência, da pesquisa e da política, resolvem repensar o país, cabe
fazer uma reflexão e um exame aos erros cometidos no passado para
que não venhamos a incorrer nas mesmas falhas e definirmos um
futuro para o nosso país que não corresponda efectivamente às suas
reais capacidades e às condições que a competividade internacional
nos impõem.
É momento de reflexão e de dedicação, principalmente por parte da
classe empresarial, dos políticos, dos dirigentes sindicais e de
todos os que representam os segmentos do povo português, para que
possamos alcançar os índices de desenvolvimento que nos permitam
ombrear com os nossos parceiros europeus e nos proporcionem o
estímulo necessário ao desenvolvimento da nossa criatividade e à
formação da sociedade que sonhamos para os nossos filhos e para as
gerações que lhes seguirão. Não é possível é continuarmos neste
marasmo económico que vivenciamos, no qual não enxergamos nenhuma
luz alvissareira no fundo do túnel obscuro que percorremos na
actual conjuntura económica em que o país se encontra.
Eduardo
Neves Moreira
Ex-Presidente do Conselho Mundial das Comunidades Portuguesas
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