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02/OUT/2006
Dos perigos da Democracia - Jorge
Sampaio
Jorge Sampaio, num colóquio no Porto, afirma que a democracia vive
uma crise de confiança e de afirmação.
A crise da democracia e de confiança que Jorge Sampaio ajudou a
criar, tal como outros, é fácil de diagnosticar quando se vive
longe do poder.
Mau é que os que beneficiam mais da democracia e se servem dela se
arvorem agora em profetas ou em críticos do sistema. Deixem esse
papel aos que pagam para a democracia. Doutro modo ainda a
desacreditam mais, dando a impressão que não lhes chega a mama
querendo também a vaca.
Sampaio ao afirmar que o papel do Estado tem de ser melhorado para
dar resposta às expectativas dos cidadãos e para restabelecer a
sua confiança, que está abalada nos mecanismos da democracia
representativa» erra na receita e na concepção de Estado.
Não queremos um Estado paternalista; nós é que fazemos e ajudamos
o Estado. O que os portugueses precisam é menos Estado, menos
partidos e mais responsabilidade. Quanto mais Estado mais
parasitismo. O Estado tem de se limitar a assegurar as funções
fundamentais, como, infra-estruturas, defesa, ordem interna,
administração e criação do enquadramento propício ao
desenvolvimento livre de cada um e na defesa para os cidadãos
poderem dedicar-se às tarefas individuais e sociais para seu bem e
no sentido do bem – comum. O Estado hoje já não consegue dar conta
do recado. Dar-lhe mais encargos pior ainda. Reestruturem-no
primeiro e depois falem.
Sampaio lamenta a fraca participação nos atos eleitorais. Mas o
problema maior é que o senhor Jorge Sampaio o que quer é mais
Estado e mais partido e isso significa menos povo, ou povo como
verbo-de-encher! Mais que estratégias de mobilização do povo ao
voto interessa uma política que o leve a participar mais.
António da
Cunha Duarte Justo
Teólogo
http://blog.comunidades.net/justo
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