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21/AGO/2006
Ainda a visita do 1º
Ministro José Sócrates ao Brasil
Uma das coisas que mais me surpreendeu
durante a visita do primeiro ministro José Sócrates ao Brasil foi
exatamente a falta de divulgação da sua viagem a dos resultados da
mesma por parte da comunicação social brasileira, tanto a escrita,
como a falada e a televisiva. Na verdade, podemos afirmar, com
convicção, que ele e sua comitiva (de alto nível) passaram pelo
Brasil como ilustres desconhecidos do povo e da nação brasileiras.
Não consigo explicações lógicas para isso: será que houve falta de
planejamento da sua visita? será que o objetivo era apenas
divulgar a viagem para o povo português diante da enorme delegação
de jornalistas portugueses que os acompanharam (mais de 60)? será
que houve boicote por parte dos jornalistas brasileiros? Estas são
algumas das questões que estão se pondo e que, até ao momento,
ninguém respondeu.
Na verdade, vários foram os temas de grande importância que a
visita abordou, mas o povo brasileiro não teve ciência disso e a
maior prova que eu tive foi quando participei de um almoço no
domingo passado no qual estavam diversos cidadãos portugueses. A
maioria deles nem sequer sabia que o José Sócrates havia por aqui
passado, nem o que teria vindo fazer ao Brasil.
Não me consta que o atual governo português tenha promovido uma
mudança substancial na linha de conduta da política econômica que
possa ser considerada "uma verdadeira política de apoio à
internacionalização" como a ilustre professora Dra. Carla Guapo
Costa, em seu livro "A Cultura como fator dinamizador da Economia"
apregoou como fundamental no final do ano passado quando a obra
foi lançada. Pode-se mesmo dizer que o Primeiro Ministro José
Sócrates, quando de sua posse, enfatizou uma política de
aproximação com a União Européia, privilegiando particularmente a
Espanha, fato que surpreendeu muita gente e até foi alvo de
algumas e contundentes críticas.
No entanto, com o passar dos meses e diante do quadro que se lhe
apresentou na condução do leme do país, houve uma considerável
mudança de estratégia, voltando a dedicar um interesse maior às
ligações econômicas com o Brasil (que continua a ser um importante
parceiro econômico e ainda o principal destino dos investimentos
empresariais portugueses no estrangeiro). Tal revisão da política
deve-se essencialmente à contínua procura por pequenos e médios
empresários portugueses pelos mercados brasileiros (em particular,
os nordestinos) para seus investimentos e ainda, pelo
desenvolvimento positivo de alguns dos projetos nos quais grandes
grupos empresariais portugueses já se encontram inseridos na malha
econômica brasileira.
As insuficiências e as limitações do modelo
de crescimento da economia portuguesa persistem, principalmente
diante dos desafios asiáticos e do leste europeu.
Navegamos por mares agitados e com riscos de freqüentes e
indesejáveis "calmarias" que, ironicamente, poderão vir a agitar
mais ainda a efervescente política nacional.
Eduardo Neves
Moreira
Economista
Ex-Deputado na Assembléia da República pelo Círculo de Fora da
Europa
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