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Quem somos, quantos somos e onde estamos?

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Artigo » Eduardo Neves Moreira

14/AGO/2006

 

O que precisamos saber:
Quem somos, quantos somos e onde estamos?


Antes que alguém, no governo de Portugal, pretenda tomar qualquer atitude referente à emigração portuguesa, precisaria ter a resposta a essas questões que acabo de colocar. Se nós não sabemos quantos emigrantes espalhados pelo mundo Portugal possui; se não sabemos o grau de escolaridade, as aptidões profissionais e a capacidade financeira desses emigrantes e se ignoramos em que países ou regiões eles estão instalados, não é possível tomarem-se atitudes sensatas e precisas para o reconhecimento e o aproveitamento do potencial da emigração, que continua sendo alvo de providências mal calculadas, atos incompreensíveis e legislação ineficiente, que conduzem a um estado de abandono e de descrédito por parte dessa imensa e importante parcela da nação portuguesa.

Na verdade, as próprias autoridades governamentais não dispõem de dados precisos sobre quantos somos e onde estamos e somente após um recenseamento sério e tecnicamente bem estruturado será possível conhecer toda a população portuguesa residente no estrangeiro. Os dados atuais, existentes nos consulados, estão muito aquém da realidade, pela sua desatualização e precariedade, portanto insuficientes, mas entendo que não é criticando o sistema político vigente, que pode não ser o ideal, certamente é muito melhor do que o de outros países que nós conhecemos. E nem é agredindo as autoridades constituídas que teremos o reconhecimento do nosso valor como parte integrante da nação portuguesa, nem tampouco seremos alvo das medidas que, como emigrantes e sentindo na pele o manto do abandono, entendemos que precisam e devem ser tomadas com urgência. Faz-se necessário e urgente que o governo português, dê a devida atenção a este problema e promova o recenseamento de todos os portugueses espalhados pelo globo, permitindo-nos então, uma avaliação adequada de quantos nós somos e o que representamos. Através desse recenseamento e amparados com números precisos, será possível exigir uma representatividade maior na Assembléia da República, com o conseqüente aumento do número de deputados eleitos pelos emigrantes, dando-nos uma representatividade maior e uma capacidade de reivindicação mais próxima da realidade que representamos.

Precisamos, acima de tudo, é fazer ver às pessoas que têm algum poder junto ao Estado português, que devem rever sua posição com referência ao conceito que possuem da nossa emigração, fazendo-os sentir da importância que a emigração possui na realidade portuguesa que vivemos e que, uma mudança de critérios e atitudes, certamente reverterão em prol de toda a nação portuguesa. Se queremos que essa mudança de visão ocorra, vamos procurar, com respeito e determinação, levar aos políticos, dirigentes autárquicos, membros do Poder Judiciário e representantes das classes empresariais e laborais, tais reivindicações e demonstrar-lhes com dados e exemplos o quão equivocado tem se apresentando o Estado português perante a sua parcela emigrante. Não é também agredindo os nossos companheiros de luta, sejam eles deste ou daquele partido político, sejam adeptos do Porto, do Benfica ou do Sporting, sejam ricos ou sejam pobres, sejam doutores ou simples agricultores, que iremos ter a força necessária para conquistar uma posição de respeito e de cidadania, há tanto tempo desejada.

Ao Estado português também não basta apenas conceder o direito à participação cívica aos seus emigrantes, precisa sim, estimulá-los e facilitar o seu recenseamento e criar facilidades para a integração desses apregoados 4.500.000 emigrantes no seio da nação portuguesa. O resultado de tal esforço será valorizado intensamente pelas gerações que nos seguirem e Portugal só terá a ganhar!


Eduardo Neves Moreira
Ex-Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas
Ex-Deputado pela Emigração na Assembléia da República

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