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Artigo » Ademir Pestana

13/JUL/2006

 

Itália Tetra, Portugal em Alta!

Impressiona o efeito empolgante do futebol chamado "association" sobre a população de grande parte do globo terrestre, este que agora movimenta as nações italiana e portuguesa empolgadas na sua conquista futebolística. Esporte que, queiram ou não, traduz aspectos econômicos, culturais e sociais que se expandem. A França, sociedade secular de Godard e Meliés, Marat e Robespierre, fez sua marca, mas Itália e Portugal fizeram mais sucesso, este retomando a condição de há 40 anos. A Alemanha, a única não-latina e sede da Copa, ficou entre os quatro, no espaço que o Brasil, habituado a só vencer, deixou - apesar de ser maior dos maiores com cinco títulos.

A estratégia da ação pelo coletivo comprova seu sucesso nesta modalidade, nascida sabe-se lá se da cabeça e dos pés dos ingleses, ainda que Charles Miller, que nos trouxe o futebol que os índios já jogavam, fosse brasileiro. E agora, estas duas nações que mais mandaram migrantes para o Brasil fazem espetáculo no mundo, fazendo com que fosse menor seu insucesso. Afinal, a pátria-mãe e a pátria-nona atingiram suas expectativas.

No evento da conquista da nação herdeira do Império Romano de seu quarto campeonato, saudamos a Itália pelos seus ícones, pela sua lembrança, pelo seu trabalho que nos foi oferecido por seus imigrantes. Que faz o Brasil em festa pelos seus milhões de descendentes como se fosse a segunda bota européia, construtores, trabalhadores, líderes operários como Vacirca e Gigi Damiani no início do século que passou. De escritores como Dario Fó deixaram sua marca libertária e foram por aqui cantados com maestria pela mestra Neyde Veneziano.

Saudamos a Itália dos oradores e escritores como Cícero, de médicos como Franco Basaglia e da Revolução Psiquiátrica que promoveu nos anos 70 e exportou para que Santos a fizesse para o país, plantando a Reforma nos cruéis manicômios sete anos depois. Do técnico Marcelo Lippi, que como Mastroiani fez sucesso, terra do herói italiano e brasileiro Giuseppe Garibaldi.

Saudamos Portugal, que trouxe os descobridores para o Brasil e Armênio para Santos, que renasce na integração da União Européia superando o atraso da Ditadura, aquela nação que foi a primeira a ter uma organização política na Europa, pouco passados dos anos mil e duzentos. Nação que globalizou o mundo com as navegações, que expandiu a língua e a cultura pelo planeta, retomou seu impulso e é hoje o país que mais cresce no continente, uma sociedade evoluída que soube derrubar o fascismo na Revolução dos Cravos de 1974 sem sangue nem tortura - para crescer rumo ao Primeiro Mundo próximo e alcançável, no interesse de sua gente na pátria-mãe da língua, de Camões, Pessoa e Bocage, da lucidez do Nobel José Saramago.
 

Folclore, tradição, costume, amabilidade, brincadeira. Magnífica identidade mágica esta de portugueses, italianos e brasileiros, distantes pelo oceano cantado por seus poetas e escritores e próximos em sentimentos, no amor ao bolinho de bacalhau e à pizza e macarrão, às vezes misturados. Às comidas e danças que sempre encantam por seu colorido e ritmo contagiante, a cultura e a beleza plástica e poética das etnias, a história sesquicentenária da Beneficência Portuguesa e da Sociedade Italiana, entre muitas entidades.

O nome da rosa italiana é Umberto Eco. É Itália desde o teatrólogo Pirandello, talvez pelo mágico do cinema, pelos seus mágicos diretores Rosselini, Visconti, Pasolini, Moniceli, De Sica, Ettore Scola, pelo maior de todos os tempos em todo o mundo Frederico Fellini, seja pela Lina Wertmuller, Antonioni, Carlo Ponti, Zefirelli e Pietro Germi. Como os portugueses, segundo contingente migratório no Brasil, mas o primeiro em Santos, que no cinema brilham com Seixas Santos, Tiago Guedes, Botelho, Leitão, Catarina Ruivo, Arthur Duarte.

É esta Itália cuja equipe de futebol, a "squadra azurra", ganhou o tetra - campeonato, que saudamos na disputa em que Portugal fez bonito. Como prova de sua nova configuração na Comunidade Européia das Nações, renovada após a sua Primavera de Abril que já fez 32 anos, derrubando mais uma ditadura. Tudo neste concerto migratório que faz o Brasil internacional e que reúne nacionalidades entre os classificados e os não-classificados, que tem estados quase alemães e bairros japoneses e judeus, entre tantos. È este Brasil internacional quase todo italiano e português, que saudamos!
 

Ademir Pestana

Gabinete Vereador

Câmara Municipal de Santos

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