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Artigo » Ademir Pestana

17/MAI/2006

A ponta da praia de nossos sonhos

O Projeto Redentor da Ponta da Praia, que a Prefeitura anuncia enviar à Câmara garantindo a área lindeira ao mar para os clubes e projetos náuticos - vocação natural do bairro -, é oportuno e, pode-se dizer, indispensável para o desenvolvimento da cidade. Neste momento em que a identidade, a paisagem e a finalidade do bairro-mar são ameaçadas por danos irreparáveis impedindo seu crescimento turístico, que seria a implantação de construções inconformes com este jeito de ser, esse Projeto Redentor vem a calhar.

A ameaça à identidade da cidade com a compra por empresários não-comprometidos com ela, vindos de fora, foi o início dessa garantia de finalidade na cidade que De Vaney colocou como a mais esportiva do Brasil. Que não tem indústrias - mas uma natureza e uma história que a capacita para os novos tempos na Ponta da Praia do Ferry-boat, dos pescadores na murada e do antigo saltador demolido de quatro andares no canal que pensaram ser um rio, para onde foram os remadores de outrora, atividade esportiva que a cidade não se isola.

O bairro da Ponta da Praia sempre teve para os santistas aquela alma bucólica dos navios passando ao largo no canal, dos barcos estacionados, do peixe e do chuchu das chácaras dos japoneses. Dos clubes sempre lotados de gente, das muretas vazadas que revelavam nossa porta ao mundo, o mar. Do outro lado, o forte de nosso passado histórico, feito pelos espanhóis no século XVI. Agora, a cidade se volta para lá, de onde se vê toda a orla, espaço tranquilo do calçadão.

Durante décadas de crescimento da cidade a Ponta da Praia dependeu de si mesma para moldar seu jeito e sua face, como se não fosse parte essencial e substancial da nossa Santos, guardando-se para o futuro. É um destaque marítimo santista que ora sofre as modificações inerentes às transformações econômicas. Até que chegada a hora da necessária intervenção da Prefeitura, garantindo a cidade em suas formas.

O cheiro de peixe já não é a marca maior da Ponta da Praia, nem a movimentação febril dos clubes em que crianças e adultos entravam e saiam com seus equipamentos de lazer e barcos. Já não é dos piratas de outrora que chegavam por ali, mas ameaçada de igualar-se ao restante da orla em uma muralha de concreto. A velha Ponta da Praia sofre ameaças de condenar eternamente o sonho de sediar um complexo de marinas para o que tem potencial sem exigir intervenções nem quebra-mar.

Tem um remanso que aguarda a visita de dezenas de milhares de barcos que circunavegam pelo mundo e que virão por aqui trazendo desenvolvimento. Mas no país de maior costa marítima do mundo, porta para as marinas, uma de suas cidades mais antigas visitada nos primeiros anos do século XVI tem um prefeito que antecipa este futuro e age concretamente para garanti-lo. Santos vai internacionalizar-se a partir das marinas que povoam a Europa e a América, abrindo mercados e empregos, trazendo gente e idéias novas. A garantia da Prefeitura de que esta marcha não será impedida é privilégio da cidade, neste anos que iniciam o século XXI, instalando em tempo um pensamento de futuro para nossa Santos.


ADEMIR PESTANA
Vereador
Câmara Municipal de Santos

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