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05/AGO/2006
1°. de Maio – Una tradição a preservar
Apesar dos vícios do sindicalismo…
O 1° de Maio é uma boa tradição. Hoje mais do que nunca se precisa
de gente empenhada. Numa época em que a dignidade da pessoa se
encontra em perigo porque o trabalho já não protege da pobreza e
em que a pessoa é cada vez mais funcionalizada são preciso rituais
que despertem e apontem para a realidade.
A comemoração deste dia tem o sentido de manter a recordação e de
sensibilizar as pessoas para os direitos do trabalhador. O seu
sentido provem do facto de se terem de fazer esforço por empregar
pessoas e por melhorar as condições de trabalho.
Os sindicatos encontram-se apesar de tudo em crise, porque também
elas estão em alguns sectores combalidas pelo mesmo vírus que
corrói e corrompe instituições e sociedade. Os sindicatos são o
reflexo da nossa sociedade e da economia que a domina. Antigamente
o trabalho era determinado pela indústria, as grandes empresas e
uma ligação vitalícia no mesmo trabalho e profissão. Hoje as
pessoas trabalham em pequenas indústrias, no sector de serviços e
em trabalhos dependentes inseguros ou mesmo em sectores de
salários mínimos.Os sindicatos não conseguem atingir muitos destes
trabalhadores ou encontram-se mesmo em concorrência com eles.
Atravessamos tempos em que a luta parece ser entre os que têm um
lugar de trabalho e aqueles que não têm nenhum.
Em tempos da globalização e de redução de salários é difícil para
um sindicato impor tabelas de salário gerais para um país inteiro.
O neoliberalismo quer dar mais direitos ao mercado à custa dos
direitos do trabalhador. Em tempos da globalização porém seria
importante que os sindicatos adquirissem tabelas salariais mais
globais. Contra isto falam aspectos acima referidos, nacionalismos
concorrentes e o próprio egoísmo dos altos funcionários dos
sindicatos que constituem por vezes uma classe própria com
interesses específicos e em situações privilegiadas desligadas dos
filiados. (Eu mesmo posso testemunhar isto. Fui o fundador, com
mais dois colegas, da secção alemã do sindicato dos professores no
estrangeiro SPE / FENPROF e pude posteriormente verificar a
politização partidária progressiva unilateral de pessoal mais
activo e o aproveitamento político do sindicato que atraiçoou os
interesses do ensino de português no estrangeiro à troca de postos
administrativos para os seus funcionários mais oportunistas.) Há
demasiada conivência entre funcionários sindicais e políticos. A
mentalidade táctica e a estratégia de ocupação dos postos da
administração pública com pessoal de dupla filiação (partidária e
sindical) é um grande mal e prejudica substancialmente o bem comum
e Portugal. Por vezes é mais seguida uma política de corredor
proveitosa para políticos e funcionários sindicais mas prejudicial
para os sócios em geral e para o bem comum. (Abandonei o SPE /
FENPROF na procura dum sindicato mais dedicado à objectividade e
aos interesses comuns e entrei no SNPL onde verifico ineficiência,
desinteresse e inactividade).
Apesar de tudo precisamos de sindicatos, de sindicatos renovados.
Antigamente um trabalhador podia exercer a sua profissão durante
toda a vida. Hoje isso quase já não é possível. As pessoas são
obrigadas à flexibilidade, têm que mudar várias vezes de empresa.
As qualificações adquiridas já não chegam para toda a vida
profissional o que terá como conseqüência a exigência duma nova
política de qualificação. Hoje exige-se formação contínua e a
vontade de aprender durante toda a vida.
As instituições padecem de falta de rectidão e de humanidade. Há
situações tão aberrantes mas são cobertas pelos que vivem do
sistema e os Média encontram-se demasiadamente acomodados ou
encostados e dependentes.
Urge uma sociedade que ouse ser humana!
António da Cunha Duarte Justo
Alemanha |