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Artigo » Eduardo Neves Moreira

26/ABR/2006

Língua e cultura portuguesa no mundo: Que estratégia para o futuro?

O tema que se nos apresenta é bastante ousado e deveras interessante. Quando se aborda a língua não se trata exclusivamente do meio de comunicação dos homens entre si, mas a forma própria de como se estrutura e desenvolve o seu pensamento. Daí, concluirmos que não existe pensamento sem linguagem.

O idioma português é hoje um elemento importante não só para Portugal, como também para todos os demais estados que integram a Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa, entre os quais desponta o Brasil como a nação mais importante, na sua promoção, considerando o elevado número de falantes e sua projeção a nível mundial.

Por isso é fundamental que, ao adotar-se qualquer política para a sua promoção, a mesma tenha o respaldo da CPLP e constitua o pensamento dos países que a integram possuindo, assim, a representatividade necessária à sua implementação.

&! nbsp;  A estratégia para a sua promoção passa, obrigatoriamente, pela procura de uma uniformização ortográfica tão discutida, tão desejada, mas que esbarrou no excesso de burocracia de uns e na teimosia de outros. Sabemos que, por decisão da penúltima Cimeira Luso-Brasileira, Portugal e Brasil acordaram na elaboração de um projeto de ação comum visando a promoção da língua portuguesa no plano internacional. Mas isto está, até ao momento, no plano das intenções e sem o devido e urgente impulso que seria recomendável.

O ensino do português fora dos limites territoriais dos países que o possuem como idioma oficial é muito deficiente. Quase que se pode afirmar que o único país que o promove junto às suas comunidades emigrantes é Portugal, mas, mesmo assim, de forma deficiente e geograficamente descontinuado. Existem muitas reclamações no âmbito das comunidades emigrantes, brasileiras e caboverdianas, sob a alegação de que seus filhos acabam por ficar desvinculados da sua pátria de origem pela dificuldade existente de obterem conhecimentos do português junto às comunidades estrangeiras onde estão inseridos.

Para que tenhamos um futuro melhor para o nosso idioma, faz-se necessário um reforço nas atribuições conferidas ao Instituto Camões e a outros órgãos similares existentes nos demais países de língua portuguesa e a sua coordenação com base no Instituto Internacional da Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde e que carece, igualmente, de apoios governamentais e comunitários.

Não de se deve prescindir do apoio de instituições privadas como o Elos Clube Internacional, que tem como seu principal objetivo, a promoção e a divulgação da língua e da cultura portuguesas e que tem tomado iniciativas das mais válidas, estando atualmente a fazer circular na Internet uma petição que pretende ver o português como uma das línguas oficiais das Nações Unidas e que já conta com mais de 50.000 assinaturas. Ressalte-se que a filosofia elista, criada em 1959, quando da sua fundação, serviu de embrião para a formação da atual CPLP, entidade que deverá supervisionar qualquer política internacional para a valorização da língua portuguesa.

Só assim e com muito esforço e perseverança será possível ao português, poder-se impor como uma das principais línguas do mundo e tornar-se respeitada, valorizada, difundida e admirada em todos os continentes e por todos os povos.

Eduardo Neves Moreira

Presidente do Elos Clube do Rio de Janeiro

Vice-Presidente da Academia Luso-Brasileira de Letras

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