SERVIÇOS >> ARTIGOS

 

» Artigos do Autor

03/ABR/2007

» O Encerramento do Consulado de Santos: Uma agressão a uma comunidade das mais importantes e significativas

21/FEV/2006

» Homenagem à Portugal e à Lusofonia

13/FEV/2006

» Reestruturação Consular: Desejada ou Odiada?

03/FEV/2006

» Portugal e o Desmatamento no Brasil

07/JAN/2006

» O Natal da minha infância

06/DEZ/2006

» Estado espanhol concede o direito à nacionalidade espanhola aos netos de seus emigrantes

01/DEZ/2006

» Alcides Martins: um exemplo comunitário

16/NOV/2006

» A visita do Presidente Internacional e o futuro do Elos Clube

17/OUT/2006

» A minha visão sobre Salazar

16/OUT/2006

» 20 Anos de adesão de Portugal à União Européia

05/OUT/2006

» O Bem e o Mal... E Portugal?

29/AGO/2006

» Os efeitos tributários no futuro das Associações beneficentes e filantrópicas no Brasil

21/AGO/2006

» Ainda a visita do 1º Ministro José Sócrates ao Brasil

14/AGO/2006

» O que precisamos saber:
Quem somos, quantos somos e onde estamos?

5/AGO/2006

» Comunidade Luso-brasileira: Um exemplo a seguir

19/JUN/2006

» O apoio social aos Emigrantes Portugueses

27/JUN/2006

» As associações filantrópicas criadas pelos portugueses no Rio de Janeiro e o futuro das Comunidades Portuguesas

» 350 anos da restauração pernambucana

26/ABR/2006

» Língua e cultura portuguesa no mundo: Que estratégia para o futuro?

» Eduardo Neves Moreira responde sobre a participação cívica dos Portugueses residentes no estrangeiro

5/MAR/2006

» A Comunidade luso-brasileira da atualidade

 
 

Artigo »  Eduardo Neves Moreira

26/ABR/2006

 

Eduardo Neves Moreira responde sobre a participação cívica dos Portugueses residentes no estrangeiro

O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) lançou uma consulta no sentido de elaborar propostas ao Governo, para melhorar a participação cívica dos Portugueses que residem no estrangeiro.

Acaba de ter lugar mais um acto eleitoral que elegeu o Presidente da República Portuguesa e mais uma vez a participação dos Portugueses no estrangeiro ficou muito àquem do que se desejava.

Vamos agora atravessar um período sem actos eleitorais em Portugal, e nas Comunidades, a próxima eleição será a do CCP, no próximo ano de 2007.

Por isso, lançamos agora uma consulta alargada a todos os Conselheiros para que sejam feitas propostas ao Governo, no sentido de aumentar a participação cívica dos Portugueses que residem no estrangeiro.

O Ex-Deputado na Assembleia da República e Ex-Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Eduardo Neves Moreira, assim se pronunciou sobre as questões colocadas pelo Conselho Permanente:

Sobre o recenseamento
Não é natural que um país democrático, como é o caso de Portugal, fique de braços cruzados, durante tantos anos, perante o facto de cerca de um terço dos seus cidadãos não se encontrar recenseado nos cadernos eleitorais.

O recenseamento eleitoral não é obrigatório para os Portugueses que residem no estrangeiro, porque há países que não aceitam a “dupla cidadania” e os nossos compatriotas perderiam os direitos cívicos nos países onde residem, se se recenseassem para as eleições portuguesas.

A recente decisão do Governo de “quase-automatizar” o recenseamento a todos quantos recorrerem aos serviços consulares é importante, mas sabemos todos que a maior parte dos nossos compatriotas não recorre frequêntemente aos postos consulares.

· De que forma se poderia motivar o recenseamento nos cadernos eleitorais sobretudo para quem não está a prever ir ao Consulado? Que acções poderiam ser postas em prática? Que sugestões pode fazer o Conselho nesta área?

RESPOSTA: - Facilitando o recenseamento, ao permitir que o recenseamento possa ser realizado fora das instalações consulares, nas associações das comunidades emigrantes, em eventos comunitários e em festividades cívicas e culturais. Por outro lado, deveria ser organizada uma campanha de conscientização, informando das vantagens decorrentes da participação cívica e da importância da mesma para obtenção de direitos para a emigração portuguesa.

Sobre os cadernos eleitorais
Actualemente, os Portugueses que residem no estrangeiro têm vários cadernos eleitorais: um caderno eleitoral para a eleição do Presidente da República, um caderno eleitoral para as eleições legislativas, um caderno eleitoral para as eleições do Parlamento Europeu (este só para os cidadãos portugueses residentes num outro Estado-membro) e ainda um caderno eleitoral para a eleição do Conselho das Comunidades portuguesas.

Há portugueses inscritos nos Consulados mas que não estão recenseados. Há outros que estão recenseados para as eleições legislativas mas que não podem votar para as eleições Presidenciais, etc.


· De que forma se poderia uniformizar os diferentes cadernos eleitorais? Que sugestões temos para que o recenseamento e o acto eleitoral ele-mesmo, seja simplificado?

RESPOSTA: - Entendo que deve ser feita uma unificação entre os cadernos eleitorais para a Assembleia da República e para a eleição do Presidente da República. Entretanto, é fundamental e absolutamente necessário que se mantenha o sistema de cadernos eleitorais para eleição dos conselheiros das comunidades portuguesas, pois, em alguns países, o exercício eleitoral lá impede o recenseamento e o voto em outro país. Tal alteração deixaria de fora do CCP grande parte dos conselheiros e dos candidatos à referida função, pela sua exclusão motivada por serem eleitores no país de acolhimento. O acto eleitoral deverá ser exercido de forma mais simplificada, como por exemplo, o voto eletrónico via Internet, permitindo uma participação cívica mais alargada. 

Sobre o método de votação
Actualmente os Portugueses que residem no estrangeiro podem votar por correspondência para as eleições legislativas. Mas este método de voto tem sido contestado por não ser fiável e porque provoca muitos votos nulos: é necessário tirar fotocópia ao cartão de eleitor, não se enganar no envelope, etc.

Por outro lado, a eleição presencial praticada para as eleições Presidenciais e para eleger o CCP, também não tem feito unanimidade porque os Portugueses que residem longe dos Postos Consulares vêem-se assim, impossibilitados de participar no acto eleitoral.

Para além disso, raras têm sido as situações em que os Consulados têm mesas de voto deslocalizadas, aproximando-as assim dos eleitoros. Em geral não o fazem: ou porque técnicamente não têm cadernos eleitorais “separáveis”, ou porque não têm vontade própria de abrir todo o processo que leva ao pedido às autoridades locais e à manutenção das condições de segurança requeridas para uma qualquer eleição.

A experiência de votação electrónica levada a cabo pelo anterior Governo e que permitiria a votação à distância, apesar de ter sido conclusiva, parece agora posta de parte.


· Que recomendações podem ser formuladas para que o acto eleitoral seja facilitado, simplificado, e o mais próximo possível do eleitor?

RESPOSTA: - Se não houver possibilidade ou vontade política de introduzir um voto eletrónico confiável, deveria ser aperfeiçoado o actual sistema de votação à distância ou, no caso de adopção do voto presencial, somente na hipótese de possibilidade de descentralização das mesas de voto ao ser permitida a sua instalação em associações das comunidades emigrantes, em sindicatos, escolas, etc., visando a possibilidade de uma adequada participação cívica.

Sobre as campanhas de sensibilização
Aquando dos actos eleitorais, a Comissão Nacional de Eleições lança campanhas de sensibilização ao voto. Essas campanhas têm-se destinado apenas aos eleitores que residem em Portugal, descriminando-se assim os Portugueses que, mesmo se também são eleitores, residem no estrangeiro.

·Que sugestões poderiam ser formuladas para que houvesse campanhas de sensibilização ao voto dos Portugueses que residem no estrangeiro?

RESPOSTA: - As campanhas de sensibilização ao voto dos portugueses no estrangeiro, passam obrigatoriamente pela divulgação através da RTP-Internacional, SIC-Internacional, jornais voltados para a emigração editados em Portugal, imprensa falada e escrita das comunidades portuguesas no estrangeiro, associações portuguesas existentes na diáspora e, quando da proximidade das eleições, divulgação nos principais órgãos da imprensa estrangeira.

• CARTA ENVIADA POR EDUARDO NEVES MOREIRA AO PRESIDENTE CAVACO SILVA

"Exmo. Sr. 
Presidente da República Portuguesa
Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva
Palácio de Belém
Lisboa – Portugal


Excelência:
Felicitando-o pela recente investidura no cargo mais importante do nosso país, desejo-lhe as maiores venturas no desempenho do mesmo e aproveito a oportunidade para expor-lhe alguns detalhes sobre uma Lei que se encontra na Presidência da República para merecer o exame de V. Exa. e, que face à importância que a mesma possui para as nossas comunidades emigrantes, deve merecer o tratamento mais adequado e necessário para a consecução dos objectivos em função dos quais a mesma foi elaborada. 

No ano de 1998, quando eu presidia o Conselho das Comunidades Portuguesas, apresentei uma proposta de Recomendação em reunião do citado órgão no qual propunha a alteração de Lei da Nacionalidade no sentido de que fosse concedido o direito à nacionalidade de origem aos netos de portugueses nascidos no estrangeiro, a exemplo do direito que já possuem os filhos de portugueses em idêntica situação. Tal proposta recebeu a aprovação unânime dos membros do Conselho Permanente das Comunidades Portugueses, tendo sido encaminhada ao Governo para exame, mas nada foi feito que permitisse dar corpo ao pleito. Posteriormente, quando exercia o cargo de Deputado da Assembleia da República, para o qual fui eleito pelo Círculo da Emigração de Fora da Europa, apresentei um Projecto de Lei, no qual se previa a concessão desse direito aos netos de portugueses. Infelizmente, antes que o projecto fosse votado, com a dissolução da Assembleia da República, o mesmo foi arquivado como todos os demais projectos em andamento.

Iniciada a nova legislatura, a PSD, dando continuidade à minha iniciativa e atendendo aos pedidos emanados de todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, apresentou novo Projecto de Lei prevendo a concessão do pleito em favor dos netos. Como o governo havia formulado proposta de alteração da Lei da Nacionalidade para conceder o direito à nacionalidade portuguesa aos descendentes dos imigrantes estrangeiro nascidos em Portugal, ambas as iniciativas transitaram em conjunto, tendo sido aprovadas na generalidade pelo plenário da Assembleia da República. No entanto, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o texto de ambas as iniciativas (o do governo e do PSD) foi unificado, transformando-se num único projecto, que foi submetido à aprovação na especialidade pelo plenário da Assembleia da República. Entretanto, embora que o projecto do PSD previsse a concessão da nacionalidade de origem aos netos de portugueses, a redacção submetida à votação dos senhores Deputados, admitiu apenas o direito à naturalização, que além de ser um direito mais restrito, criou um problema de diferenciação indesejável, que acredito ter passado despercebido pelos senhores parlamentares que não atentaram para a discriminação que estavam a aprovar.

A maioria dos países onde se encontram acolhidas as nossas comunidades no estrangeiro prevê que, quando um seu natural se naturalizar com uma nacionalidade estrangeira, perde automaticamente a sua nacionalidade de nascimento, surgindo daí, a hipótese de vir a ficar estrangeiro no próprio país onde nasceu e sempre viveu. O mesmo não ocorre quando o mesmo obtém a nacionalidade pelo vínculo sanguíneo, ou seja, a nacionalidade de origem prevista no projecto apresentado pelo PSD e que foi inadvertidamente alterado.

Se prevalecer o texto aprovado pela Assembleia da República e que aguarda a aprovação presidencial, vamos assistir a uma situação inaceitável pois surgirão três classes de netos de portugueses:

- aqueles que têm a nacionalidade de origem, obtida pela transmissão de seus pais, filhos de portugueses, que previamente tenham obtido a nacionalidade; 

- aqueles que não podem obter a nacionalidade portuguesa, porque os seus pais (filhos de portugueses) não obtiveram a nacionalidade tendo falecido antes de a pleitearem e não desejam pleitear a naturalização sob pena de perderam a sua nacionalidade de nascimento; 

- os que obtiverem a nacionalidade por naturalização, que além de ser uma concessão com restrições legalmente estabelecidas, é um direito pessoal e intransferível, criando uma discriminação altamente indesejável.

Diante do exposto apelo para o bom senso de V. Exa. e no seu indiscutível sentido de Estado que sempre nos transmitiu, para, de conformidade com os poderes que lhe são constitucionalmente conferidos, fazer retornar o texto legal em apreço à Assembléia da República para ser corrigido, visto que alguns dos senhores Deputados já informaram do seu equívoco, pois desconheciam que a legislação vigente nos principais países de acolhimento das nossas comunidades punia com a perda da nacionalidade aqueles netos de portugueses que viessem a se naturalizar portugueses. Com a reinclusão da proposta inicial do PSD que prevê a concessão da nacionalidade de origem, a exemplo da que é prevista para os filhos de portugueses, o assunto estará plenamente solucionado, fazendo-se justiça e evitando-se uma situação tão discriminatória e reconhecidamente ineficaz para a manutenção da nossa presença no estrangeiro.

Com os melhores cumprimentos e a estima pessoal de

EDUARDO NEVES MOREIRA
Ex-Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas
Ex-Deputado da Assembléia de República pela Emigração de Fora da Europa

» Artigos

» Editoriais / Colunas

» Espaço Leitor

» Agenda


© 2006 Jornal Mundo Lusíada - O melhor veículo de comunicação da Comunidade Luso-Brasileira.
Todos os direitos reservados. Reprodução com citação da fonte.
© 2006 RVR Publicidade - www.rvrpublicidade.com.br