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João Relvas/Lusa
Portugal

>> Uma manifestante, durante a concentração de
imigrantes contra a diretiva européia da expulsão, em Lisboa,
14 de Junho de 2008. |
No último 18 de junho, o Parlamento
Europeu aprovou Diretiva do Retorno sobre a harmonização dos
procedimentos relativos à deportação de imigrantes ilegais,
estabelecendo regras mais rígidas independentemente do tempo em
que os imigrantes se encontrem no continente europeu ou da
situação familiar.
No Parlamento Europeu, o voto favorável da
maioria encerra um processo negocial que se prolongou durante
anos, com a nova lei entrando em vigor em 2010. O texto foi
aprovado por larga maioria, com 369 votos a favor, 197 contra e
106 abstenções, e sem qualquer emenda.
As bancadas da esquerda, incluindo os
grupos socialista e comunista, haviam apresentado várias emendas
ao documento e bastava que uma fosse aprovada pela maioria do
hemiciclo para todo o processo negocial ter de recomeçar, mas os
votos do Partido Popular Europeu, a principal força política da
assembléia, e dos Liberais determinaram a adoção do texto tal como
foi apresentado.
Nova Lei
Muito contestada por organizações de defesa dos direitos humanos e
de imigrantes, a lei não vai afetar o regime contido na Lei da
Imigração, obrigando apenas a "reajustamentos cirúrgicos"
relativamente ao apoio jurídico aos cidadãos com ordem de
expulsão, segundo o ministério da Administração Interna. Entre as
principais disposições da diretiva, está o estabelecimento de um
prazo máximo durante o qual os imigrantes ilegais podem ficar
detidos, que será de 6 meses, ampliáveis a 18 em casos
excepcionais.
Para o ministro português da Administração
Interna, Rui Pereira, que sublinhou que a legislação portuguesa já
consagra aos ilegais direitos superiores àqueles agora fixados, a
futura lei é positiva no conjunto da UE, pois melhorará os níveis
atualmente existentes em muitos Estados-membros, apontando, por
exemplo, se em Portugal o tempo máximo de detenção de um imigrante
ilegal é e continuará a ser de 60 dias, bem inferior ao "teto"
agora fixado a nível da UE, em diversos Estados-membros os limites
eram muito superiores ou simplesmente não existiam.
Protestos
Diversas organizações de direitos humanos e movimentos políticos
de esquerda consideram a lei "desumana", condenando designadamente
os prazos para a detenção de imigrantes ilegais sem culpa formada
e a disposição que permite a detenção e expulsão de menores não
acompanhados. Uma vez deportado, os imigrantes ficam impedidos de
ingressar na União Européia por até cinco anos.
A nova lei de imigração desagradou também
o governo brasileiro, entre outros na América Latina. Em nota, o
Itamaraty lamenta a decisão de endurecimento das regras de
tratamento a imigrantes ilegais. “O Brasil, país que deu acolhida
a milhões de imigrantes e descendentes hoje harmoniosamente
integrados na sociedade brasileira, lamenta uma decisão que
contribui para criar percepção negativa da migração”, diz a nota.
Os presidentes do Equador, Rafael Correa,
e boliviano Evo Morales, também criticaram as novas medidas.
Correa afirmou que os países da região deveriam se unir contra a
“iniciativa do ódio”. Morales afirmou que a América Latina deveria
trabalhar com a África contra as novas regras, que atacam os
direitos e a vida das pessoas. Na Venezuela, Hugo Chávez ameaçou
suspender o envio de petróleo aos países europeus que aplicarem as
regras.
Na França, milhares de pessoas
manifestaram-se contra o projeto. Atrás de uma faixa onde se lia
"Contra a diretiva européia de imigração, por uma Europa
solidária", os manifestantes desfilaram ao som de tambores
gritando a palavra de ordem "Não à detenção dos estrangeiros, Pelo
fecho dos centros de retenção". Vários imigrantes, entre ilegais,
participaram no protesto que percorreu o centro da capital
francesa.
Com Agencias