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Mundo Lusíada

>> Laurentino Gomes durante noite de autógrafos no
aniversário de 76 anos do Centro Trasmontano, em São Paulo |
Autor de um dos livros mais vendidas em
Brasil e Portugal, Laurentino Gomes tinha um certo temor quanto a
recepção da sua polêmica obra “1808 – Como uma Rainha Louca, um
Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta enganaram Napoleão e mudaram
a História de Portugal e do Brasil”. Mas para sua surpresa, a
recepção dos portugueses foi mais positiva do que com os
brasileiros.
Em Portugal, o livro é considerado um
sucesso por Gomes. Em apenas três meses, está na sua 8ª edição,
enquanto no Brasil está na 9ª edição do livro, num período de nove
meses. “Eu fui muito bem acolhido, muito bem tratado desde o
começo e eu tinha um certo temor porque ia falar de um episódio
que até hoje é polêmico na história de Brasil e Portugal”, diz
Laurentino Gomes. “Para minha surpresa, eu diria que os
portugueses receberam o livro até melhor do que os
brasileiros”.Uma das grandes felicidades em publicar a obra,
segundo o jornalista, foi “a quantidade de amigos que fiz na
comunidade portuguesa, nesses últimos nove meses, desde que o
livro foi lançado”.
O Sucesso
Para o jornalista, alguns fatores foram responsáveis pelo sucesso
na venda do livro. O primeiro deles é a comemoração sobre os 200
anos da vinda da corte portuguesa ao Brasil. “Essa efeméride está
tendo mais repercussão no Brasil do que as comemorações dos 500
anos do Descobrimento, em 2000. O que faz todo sentido porque este
evento da vinda da corte em 1808 é mais importante para o Brasil
do que o Descobrimento, porque a rigor não aconteceu muita coisa
aqui em 1500” defende.
Já a vinda da família real, segundo Gomes,
significou uma grande transformação do país, de uma colônia
atrasada para um país “pronto para independência”. “Ao vir para o
Brasil, D.João
assegurou a integridade luso-brasileira e deu início a algo muito
importante que é o sentimento de identidade entre os brasileiros,
e fez, ainda que involuntariamente, a independência do Brasil”.
Além das comemorações, outro fator
importante é a linguagem jornalística, acessível às pessoas. “E
principalmente, o Brasil se tornou um país tão complicado de se
entender que as pessoas estão voltando ao passado para entender o
presente. Para isso que existe a história, para voltarmos ao
passado e construir o futuro”.
Neste mês de junho, Laurentino Gomes foi
convidado a participar dos 76 anos de fundação do Centro
Trasmontano de São Paulo, onde autografou exemplares e falou sobre
a comunidade portuguesa. “Eu vejo esta instituição com maior
respeito, e observo que a comunidade portuguesa em São Paulo tem
um senso de identidade muito forte, e Centro Trasmontano também
cumpre este papel. Eu gostei muito” afirmou.
Ao Mundo Lusíada, citando a importância do
bicentenário da vinda da corte portuguesa, Antonio de Almeida e
Silva (presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de SP)
deixou seu recado aos críticos do escritor. “Eu já vi gente na
comunidade falando que ele apresenta um D.João e a corte de
maneira caricata, parece uma crítica. São pessoas que ao meu ver,
com todo respeito, não leram o livro todo porque no final ele diz
que, não fosse D. João, talvez nós brasileiros e portugueses que
vivemos aqui, para irmos às praias do Nordeste precisaríamos de
passaporte, ou seja, seria um outro país”.