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Terça-feira | 17 JUN 08

Entrevista: Laurentino Gomes
“Portugueses me receberam melhor que brasileiros”

Laurentino Gomes foi convidado a participar dos 76 anos de fundação do Centro Trasmontano de São Paulo, onde autografou exemplares e falou sobre a comunidade portuguesa.

Odair Sene
Do Jornal Mundo Lusíada

Mundo Lusíada

>> Laurentino Gomes durante noite de autógrafos no aniversário de 76 anos do Centro Trasmontano, em São Paulo

Autor de um dos livros mais vendidas em Brasil e Portugal, Laurentino Gomes tinha um certo temor quanto a recepção da sua polêmica obra “1808 – Como uma Rainha Louca, um Príncipe Medroso e uma Corte Corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. Mas para sua surpresa, a recepção dos portugueses foi mais positiva do que com os brasileiros.

Em Portugal, o livro é considerado um sucesso por Gomes. Em apenas três meses, está na sua 8ª edição, enquanto no Brasil está na 9ª edição do livro, num período de nove meses. “Eu fui muito bem acolhido, muito bem tratado desde o começo e eu tinha um certo temor porque ia falar de um episódio que até hoje é polêmico na história de Brasil e Portugal”, diz Laurentino Gomes. “Para minha surpresa, eu diria que os portugueses receberam o livro até melhor do que os brasileiros”.Uma das grandes felicidades em publicar a obra, segundo o jornalista, foi “a quantidade de amigos que fiz na comunidade portuguesa, nesses últimos nove meses, desde que o livro foi lançado”.

O Sucesso
Para o jornalista, alguns fatores foram responsáveis pelo sucesso na venda do livro. O primeiro deles é a comemoração sobre os 200 anos da vinda da corte portuguesa ao Brasil. “Essa efeméride está tendo mais repercussão no Brasil do que as comemorações dos 500 anos do Descobrimento, em 2000. O que faz todo sentido porque este evento da vinda da corte em 1808 é mais importante para o Brasil do que o Descobrimento, porque a rigor não aconteceu muita coisa aqui em 1500” defende.

Já a vinda da família real, segundo Gomes, significou uma grande transformação do país, de uma colônia atrasada para um país “pronto para independência”. “Ao vir para o Brasil, D.João
assegurou a integridade luso-brasileira e deu início a algo muito importante que é o sentimento de identidade entre os brasileiros, e fez, ainda que involuntariamente, a independência do Brasil”.

Além das comemorações, outro fator importante é a linguagem jornalística, acessível às pessoas. “E principalmente, o Brasil se tornou um país tão complicado de se entender que as pessoas estão voltando ao passado para entender o presente. Para isso que existe a história, para voltarmos ao passado e construir o futuro”.

Neste mês de junho, Laurentino Gomes foi convidado a participar dos 76 anos de fundação do Centro Trasmontano de São Paulo, onde autografou exemplares e falou sobre a comunidade portuguesa. “Eu vejo esta instituição com maior respeito, e observo que a comunidade portuguesa em São Paulo tem um senso de identidade muito forte, e Centro Trasmontano também cumpre este papel. Eu gostei muito” afirmou.

Ao Mundo Lusíada, citando a importância do bicentenário da vinda da corte portuguesa, Antonio de Almeida e Silva (presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de SP) deixou seu recado aos críticos do escritor. “Eu já vi gente na comunidade falando que ele apresenta um D.João e a corte de maneira caricata, parece uma crítica. São pessoas que ao meu ver, com todo respeito, não leram o livro todo porque no final ele diz que, não fosse D. João, talvez nós brasileiros e portugueses que vivemos aqui, para irmos às praias do Nordeste precisaríamos de passaporte, ou seja, seria um outro país”.

 

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