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Manuel de Almeida
- 20.set.07/LusaPortugal

>> Ministro da Presidência Portuguesa, Pedro Silva
Pereira (E), durante uma conferência de imprensa em Setembro
de 2007, Lisboa, Portugal. |
O ministro português da Presidência, Pedro
Silva Pereira, negou a existência de discriminação contra
imigrantes na cobrança de taxas sobre documentos e aconselhou
"muita cautela" nas comparações de despesas de imigrantes que
vivem em Portugal e de portugueses.
"Não há nenhuma discriminação dos
imigrantes no pagamento das taxas. Pagam exatamente as mesmas
taxas que os cidadãos portugueses. Não podemos é comparar o
bilhete de identidade de um cidadão português com um título de
residência", afirmou o ministro Silva Pereira a propósito das
conclusões do estudo "Quanto Custa ser Imigrante", divulgado em 06
de maio.
De acordo com o ministro português, não é
possível comparar as duas situações, uma vez que os serviços
envolvidos são diferentes, implicando, por isso, custos
diferentes.
Pereira destacou que a maioria dos
imigrantes que vivem em Portugal tem origem na Comunidade de
Países de Língua Portuguesa (CPLP), a qual beneficia, por meio de
acordos, de reduções e até isenção de pagamento das taxas. Quanto
aos imigrantes de outras origens, o ministro afirmou que as taxas
portuguesas "são idênticas àquelas que vigoram pela Europa".
Para Silva Pereira, é muito importante a
existência de instrumentos que incentivem a legalização dos
imigrantes, uma vez que "a coisa pior que existe para a integração
de imigrantes é a clandestinidade".
O ministro apelidou a ilegalidade de "grau
zero da integração", enfatizando a importância que a regularização
da situação dos imigrantes representa no acesso ao mercado de
trabalho e aos direitos sociais.
Quanto Custa ser Imigrante
Neste dia, foi divulgado o estudo "Quanto Custa ser Imigrante",
realizado pelos pesquisadores Edite Rosário e Tiago Santos, em
parceria com o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo
Intercultural, e que analisa os custos para os imigrantes no
acesso a alguns produtos e serviços.
De acordo com o estudo, além de pagarem 16
vezes mais do que um cidadão português pelo documento de
identificação e residência, os imigrantes ucranianos em Portugal
são também "os mais penalizados em termos de procedimentos
exigidos para acederem a certos produtos e serviços".
Enquanto os cabo-verdianos e brasileiros
podem, por exemplo, solicitar a Autorização de Residência
Permanente após cinco anos de residência em Portugal por 21,10
euros, os ucranianos precisam esperar oito anos e pagam 223,20
euros.
O trabalho analisou os custos econômicos
associados à condição de imigrante que enfrentam os cidadãos das
principais origens da imigração para Portugal (Brasil, Ucrânia e
Cabo Verde).
Também foi avaliado o acesso dos
imigrantes a um conjunto de produtos e serviços - que constituem
necessidades da maioria dos residentes em Portugal - se processa
em condições de igualdade face aos portugueses.
Apesar de existirem serviços a que todos
os cidadãos - independentemente da sua nacionalidade - acedem em
condições de igualdade (como o cartão de contribuinte e de usuário
do Serviço Nacional de Saúde), a análise constatou "a existência
de outros onde existem grandes assimetrias", entre cidadãos
nacionais e imigrantes, e entre imigrantes de respectivos países
de origem.
Na comparação entre portugueses e
imigrantes, o estudo indica que os cidadãos de outros países estão
sujeitos a "uma maior burocratização" e "suportam custos elevados
para o tratamento de documentos relacionados com o estatuto de
cidadão residente".
O documento destaca ainda que os elevados
custos associados "ao estatuto de residente e inerentes ao
processo de regularização" dos imigrantes constituem "uma receita
considerável para o Estado português".
Estas receitas, sobretudo angariadas
através da emissão de documentos e aplicação de taxas pelo Serviço
de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), fazem com que este organismo
de segurança "reforce a posição de maior gerador de receitas para
o Estado" português entre as instituições policiais, sendo a única
"capaz de se autofinanciar", indicam os autores, citando dados de
2006.
Para diminuir as desigualdades observadas,
os autores recomendam medidas como uma "substancial redução dos
valores e taxas atualmente cobrados" e o "redirecionamento de
parte das receitas dessas mesmas taxas" para a integração dos
imigrantes.
Com Agencia Lusa