Contradições entre o depoimento da
principal testemunha da morte do empresário português Abel Tavares
Pereira e as imagens registradas pelas câmaras da via de acesso
denominada Linha Amarela, no Rio de Janeiro, levam a polícia a
reconsiderar todas as hipóteses.
"Estamos na estaca zero de novo, porque o
local do fato não é compatível com o que declarou o amigo da
vítima (o português Isaac Nunes da Rocha). Nenhuma tese neste
momento é segura", afirmou hoje à Lusa o inspetor responsável
pelas investigações preliminares.
O polícia, que prefere não se identificar,
disse ainda que Rocha será ouvido na próxima sexta-feira de manhã.
"Ele estava muito nervoso no dia da morte
do amigo e precisamos ouvi-lo novamente para tentar fazer uma
localização exata de onde o fato ocorreu. Qualquer tese agora
seria mera especulação", explicou o inspetor.
Abel Tavares Pereira, 67 anos, foi morto
no sábado no Rio de Janeiro, quando se dirigia para sua casa, na
Barra da Tijuca, pela Linha Amarela, em companhia do amigo Isaac
da Rocha, 75 anos.
Pereira não resistiu aos ferimentos
causados por uma bala que lhe atingiu o braço esquerdo e lhe
perfurou o tórax.
A tese mais forte com que trabalhava a
polícia inicialmente era de que o empresário teria sido vítima de
uma execução.
A hipótese de Pereira ter sido atingido
por uma bala perdida foi considerada remota, mas só seria
descartada após uma avaliação no local, que foi feita terça-feira.
Quando os investigadores descobriram a
contradição entre as filmagens das câmaras da Linha Amarela e o
depoimento inicial de Isaac da Rocha, resolveram reavaliar todas
as possibilidades, inclusive a de um eventual assalto.
O corpo de Abel Tavares Pereira foi velado
na terça-feira no cemitério São João Batista, na zona Sul da
cidade, e será trasladado sexta-feira para Portugal, de acordo com
o cônsul de Portugal no Rio de Janeiro, António Almeida Lima.
Natural de Aveiro, Pereira veio para o Rio
de Janeiro em 1959 e era dono da rede de lojas Pinheiro Tintas, a
maior parte delas localizada em endereços nobres da cidade, como
Ipanema, Copacabana, Leblon e Barra da Tijuca.