O presidente português Aníbal Cavaco
Silva, ressaltou no dia 8 de fevereiro, no Rio de Janeiro que o
Brasil deve ser visto pelos portugueses como mais do que um
destino turístico agradável.
“O Brasil é mais do que um país de futuro.
É um país do presente onde vale a pena apostar e investir com a
visão do futuro", disse Cavaco Silva ao participar das
comemorações do bicentenário da vinda da Família Real Portuguesa
ao Brasil, na sede do Real Gabinete Português de Leitura.
Segundo Cavaco Silva, intensificar a
comunhão econômica entre os países é um caminho para ambos
alcançarem maior afirmação no cenário internacional. O presidente
brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também presente à
cerimônia, lembrou que a relação privilegiada do Brasil com
Portugal pode ser estendida aos demais países de língua
portuguesa.
Lula também elogiou a entidade anfitriã do
encontro, ao afirmar que “nenhuma instituição fez mais para
preservar os laços que nos unem do que o Real Gabinete, a maior
biblioteca de autores portugueses fora de Portugal”. O Real
Gabinete Português de Leitura dispõe de um acervo com mais de 400
mil títulos, todos digitalizados.
2 nações: Parceria Estratégica
No primeiro dia da visita oficial do presidente português, 7 de
fevereiro, os presidentes destacaram a parceria histórica
existente entre os dois países, cujo principal motor foi a vinda
da corte há 200 anos.
A data foi comemorada por Lula e Cavaco
Silva no Museu Histórico Nacional, com o lançamento de medalha
comemorativa do bicentenário da chegada da família real ao Rio de
Janeiro, feita pela Casa da Moeda do Brasil e pelo Clube da
Medalha de Portugal, além de selo alusivo à data, confeccionado
pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
O presidente português enfatizou que após
dois séculos “são reconhecidos o arrojo político e a visão
estratégica” da decisão de dom João VI de transferir-se com a
família real para a colônia brasileira. Dirigindo-se ao presidente
Lula, Cavaco Silva disse que “a partilha dos mesmos valores e da
mesma língua, e a comunhão de um vasto conjunto de interesses
justificam uma cada vez mais estreita coordenação de posições
entre os nossos países, a nível bilateral e na cena
internacional”.
Cavaco Silva afirmou, porém, que Portugal
e Brasil ainda estão distantes do que se poderia esperar em termos
de parceria. Segundo ele, é preciso favorecer tudo quanto possa
contribuir para aproximar as duas nações, incluindo desde o
intercâmbio cultural, o artístico e o acadêmico, até a cooperação
científica e tecnológica, as trocas comerciais, os fluxos
turísticos e de investimentos. Destacou, ainda, a necessidade do
aprofundamento das relações no campo político, de modo a projetar
essa parceria no cenário internacional.
Para Cavaco Silva, é importante que o
Brasil e Portugal aprofundem suas inserções na União Européia e no
Mercosul, respectivamente. Ele propôs, inclusive, uma maior
cooperação entre as instituições bilaterais diplomáticas e
intercâmbio de seus quadros funcionais, batizando de antemão esse
programa de Padre Antonio Vieira, jesuíta nascido em Portugal em
1608, que veio com a família para o Brasil em 1614 e ficou
conhecido como o maior orador sacro de língua portuguesa.
Ainda no Museu Histórico Nacional, Lula e
Cavaco Silva visitaram a exposição "Um Novo Mundo, Um Novo
Império-A Corte Portuguesa no Brasil", aberta ao público desde dia
8 e até 8 de junho.
A mostra reúne documentos e objetos,
alguns inéditos, de instituições públicas e particulares do Brasil
e de Portugal. O acervo relata a situação na Europa há 200 anos,
desde as guerras napoleônicas que culminaram com a vinda da
família real portuguesa ao Brasil, até a Proclamação da
Independência pelo Imperador dom Pedro I.
Cinco séculos de parceria
Ainda no dia de chegada da comitiva portuguesa ao país, o
presidente brasileiro disse que Brasil e Portugal reinventam a
cada dia a sua relação, 200 anos após a transferência da corte.
“Em anos recentes, portugueses e brasileiros continuam a
reinventar uma parceria transatlântica de mais de cinco séculos”,
afirmou Lula, ao lado do presidente português.
Ao falar sobre o aumento dos investimentos
de Portugal no Brasil, Lula mencionou o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), que classificou de “radiografia para os
investidores que querem descobrir o Brasil”. Para Lula, a chegada
de Dom João e a família real trouxe “energia e modernização” para
o país. “Quando em 1821, regressou a Portugal, deixou para trás um
outro Brasil”, disse o presidente.
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