Inicialmente polêmica e contestada tanto por fumantes, como por
empresas do setor e revendedores, a Lei do Tabaco, em vigor na
Espanha há praticamente dois anos, tem contribuído para uma
redução significativa do número de dependentes do cigarro.
A estimativa é que, desde a entrada em vigor da lei, já tenham
deixado de fumar mais de 1,2 milhão de pessoas na Espanha,
empurrando os fumantes para um grupo cada vez menor na sociedade,
hoje inferior a 24%.
Não que isso se note na maioria dos cafés e restaurantes do país.
Apesar de a lei já vigorar há dois anos, as infrações se sucedem,
quer por não se adaptarem os espaços ao fumo, quer por não se
limitar a venda de cigarros a menores.
Tanto a administração pública, como a sociedade civil denunciam
que a aplicação da lei continua sendo desrespeitada e que as
inspeções são insuficientes ou fracas, com queixas paralelas sobre
a falta de programas públicos para deixar de fumar e sobre o custo
de alternativas medicamentosas para deixar o vício.
Limitando os locais de consumo e os pontos de venda de cigarros, a
lei proíbe o fumo em qualquer local público - incluindo empresas -
e obriga, no setor de alimentação, que espaços com mais de 100
metros quadrados criem áreas separadas para fumantes. Os locais
menores devem optar por permitir ou proibir o fumo.
Na ocasião da entrada em vigor da lei, se especulou sobre as
eventuais perdas de dezenas de milhares de postos de trabalho no
setor, afetando empregos diretos e indiretos, incluindo
funcionários de quiosques e postos de venda de jornais.
Ainda não se tem um número preciso desse eventual impacto, em
particular porque estudos demonstram que o setor de alimentação -
dito como um dos que mais seria afetado - está entre os que menos
respeita a lei.
Um estudo da Organização de Consumidores e Utilizadores (OCU) da
Espanha, por exemplo, diz que apenas 10% dos bares e 15% dos
restaurantes de menos de 100m² optaram por serem espaços livres do
cigarro.
Cerca de 44% tem sinalização inadequada no exterior, 85% têm áreas
para fumantes demasiado amplas, 37% não tem separação física
adequada entre as duas partes e cerca de 7% das padarias ainda
permitem fumar.
Nas empresas, é possível ver mais gente fumando à porta, na rua,
mas nos cafés e restaurantes, a lei foi um mero susto passageiro.
As próprias máquinas de venda automática de cigarro, comuns no
país, costumam se encontrar permanentemente funcionando, mesmo com
a obrigação de ter um comando à distância para evitar o uso por
menores. Em bares cheios, ninguém tem tempo para controlar quem
compra cigarros.