A partir do dia 1º de janeiro de 2008, entrou em vigor a nova lei
do tabaco que muda a vida dos fumantes portugueses. Ela,
genericamente, proíbe o fumo em todos os espaços destinados a
utilização coletiva.
Passa a ser proibido fumar nos serviços públicos e nos locais de
atendimento direto ao público, nos locais de trabalho, unidades de
saúde, lares de idosos e estabelecimentos de ensino. A lei engloba
ainda museus e centros culturais, salas de espetáculos, áreas
fechadas das instalações esportivas, feiras e centros comerciais.
A prática também será proibida em hotéis, restaurantes, bares,
cafés e discotecas, além de áreas de serviço, aeroportos e meios
de transporte, mas haverá também algumas exceções.
A legislação permite a criação de espaços próprios para fumantes,
desde que cumpram requisitos como sinalização e separação física
das demais instalações, dispositivos de ventilação adequados e a
existência de um sistema de extração de fumo diretamente para o
exterior. Em relação aos restaurantes, a legislação prevê que os
estabelecimentos com mais de 100m² criem áreas para fumantes,
dentro destes requisitos, e que não excedam 30% do espaço total.
As multas para quem puxar um cigarro em espaços fechados e fora
das áreas previstas para fumantes variam de 50 (R$ 131,40) à 750
euros (R$ 1,9 mil) e de até mil euros (R$ 2,6 mil) para os
proprietários de estabelecimentos privados e órgãos públicos que
não cumpram a legislação. Os valores mais elevados, entre 30 mil
(R$ 78,8 mil) e 250 mil euros (R$ 657 mil), correspondem a
infrações devidas ao não cumprimento da lei no que respeita à
composição e medição das substâncias contidas nos cigarros
comercializados, rotulagem e embalagem dos maços de cigarros,
venda de produtos de tabaco, publicidade, promoção e patrocínio de
tabaco.
A nova legislação proíbe ainda a venda de tabaco a menores de 18
anos e deixa de autorizar que as próprias máquinas de venda
automática façam publicidade dos cigarros. Os aparelhos têm ainda
de estar munidas de um sistema bloqueador que impeça o seu acesso
a menores.
A lei determina ainda que sejam criadas em todos os centros do
Serviço Nacional de Saúde consultas especializadas de apoio aos
fumantes que pretendem abandonar o vício. O impacto da nova lei ao
nível do consumo de tabaco será acompanhado pela Direção-Geral da
Saúde e o Ministério da Saúde terá de entregar a cada 5 anos um
relatório ao Parlamento português com dados estatísticos e
epidemiológicos do consumo de cigarros em Portugal. E o primeiro
deles deverá ser entregue em três anos.
Comerciantes lusos temem perder clientes
Proprietários de cafés localizados em regiões periféricas de
Portugal acreditam que a nova lei contra o fumo pode provocar
falências a curto prazo e problemas com clientes fumantes.
Em Ermesinde, uma cidade satélite do Porto, o gerente do Café
Campelo, Delfim Campelo, afirmou à Agência Lusa que a maioria da
sua clientela é contra a nova lei. "É muito complicado porque 90%
dos meus clientes são fumantes. Toda a gente está farta de
reclamar. Assim, vamos ter que fechar", afirmou o proprietário do
estabelecimento de 80m².
Em Santa Marinha, um dos distritos mais distantes do Porto, a
proprietária do Café Alfa, Ana Oliveira, disse não temer a
falência do seu negócio, mas espera "grandes complicações" com
clientes fumantes. "Vamos ter que ter muita paciência", disse.
Segundo a comerciante, é "impossível" contornar o problema, pois
os sistemas de ventilação "são muito caros, não compensando o
investimento".
Hotel livre de fumo com elevada ocupação
O primeiro hotel construído em Portugal com o objetivo de ser
livre de tabaco, aberto em abril de 2007, registra uma “excelente
taxa de ocupação”, segundo os seus promotores. “Hotel Candelária,
100% livre de fumo, boa tarde”. É com esta frase que são
atendidos, via telefone, os clientes do primeiro hotel livre de
tabaco, em Cabeço de Vide (Fronteira, região do Alentejo).
“Foi uma aposta arrojada, com resultados muito positivos até ao
momento”, garantiu à agência Lusa Fátima Lima, gerente da empresa.
Dois dias depois de ter entrado em vigor a nova lei do tabaco, que
proíbe fumar nos espaços coletivos, a empresária diz acreditar que
a legislação não vai ser difícil de vingar em Portugal e dá como
exemplo o seu projeto.
“Os fumadores aceitam com facilidade a política do hotel e quando
lhes apetece fumar deslocam-se até ao exterior do espaço ou vão
para junto da piscina”, relatou a responsável da unidade
hoteleira, que custou cinco milhões de euros.
Fátima Lima assegurou que o hotel é cada vez mais procurado, por
apresentar como principal característica a proibição de fumar no
interior das instalações.
De acordo com a empresária, vários clientes fumantes já admitiram
que durante a sua estadia na unidade hoteleira fumaram menos
cigarros em relação ao que habitualmente consumiam. “As pessoas,
cada vez mais, procuram espaços que estejam livres de poluição e
querem qualidade de vida. Por isso, penso que esta situação vai
ser benéfica para o setor hoteleiro”, observou.
O espaço hoteleiro, que ostenta quatro estrelas e pertence a uma
empresa do Grupo Xavier de Lima, tem 50 quartos e duas suítes,
restaurante, piscina, um amplo espaço de lazer e parque de
estacionamento. A unidade hoteleira integra ainda um salão de
eventos com capacidade para 300 pessoas, mas quando adaptado a
auditório permite albergar 700 pessoas.