No domingo, 16 de dezembro, os integrantes do “Grupo Rosmaninho”
estiveram reunidos para a última confraternização do ano, num
almoço realizado no salão camoniano do Centro Português de Santos.
O grupo, presidido por Maria de Fátima, que conta com o apoio do
marido José Duarte, trabalha em prol de idosos carentes, ou não,
da Baixada Santista.
Durante o evento, Maria de Fátima chamou atenção dos convidados
para a divulgação do trabalho que realizam ao público local. “A
participação de todos que eu cobro é para trazerem sócios,
divulgarem o grupo. Esta divulgação precisa ser feita, para
conseguirmos arrecadar receita, para que as pessoas acreditem no
Rosmaninho, na proposta que ele tem como ação social” disse a
presidente ao Mundo Lusíada.
Entre as maiores dificuldades do grupo, está a de não receber
assistência e apoio do governo português ou da prefeitura local,
além da participação das pessoas, falta de receita e um local para
a sede própria. “Dependemos da participação de todos para
arrecadar, para conseguir um terreno”, disse, citando um trabalho
de grande responsabilidade social. “As pessoas têm que confiar em
nós, saber do nosso trabalho, e aí tudo isso vai longe”.
Atualmente, o grupo é formado por 15 casais, entre a diretoria
executiva, integrada na maioria pelas mulheres, e o conselho,
sendo mais “masculino”. “Gostaríamos muito de ampliar, por isso
pedi hoje a divulgação do nosso trabalho para que as pessoas
entrem e participem, e as coisas possam fluir”.
Os diretores do grupo em número reduzido participaram do encontro,
que teve almoço e música ao vivo. O evento contou com a
participação do Marcos Vitor nos teclados, acompanhado da Vera
Lucia no vocal.
Pensamento Europeu
Para a presidente do Grupo Rosmaninho, que também vive uma
situação na própria família quanto a cuidados na terceira idade,
disse que o brasileiro não está pronto para resolver tais
questões. “A nossa comunidade brasileira está envelhecendo, ela
era muito jovem. Mas ela não está preparada para isso. A Europa
está, o Japão está. Nós não”.
Maria de Fátima diz que espera mais apoio do governo português do
que do próprio governo brasileiro. “Eu prefiro contar com Portugal
do que com o Brasil, é meu país mas não sei se posso contar com
ele. Agora, Portugal já tem essa visão, mais real, da terceira
idade, nós não temos. Talvez a questão não seja só problemas na
esfera política de hoje. Eu estou falando de pensamento brasileiro
e pensamento europeu” comentou citando uma questão cultural.
Segundo ela, a população brasileira que era considerada jovem,
está envelhecendo, e a velhice é algo que “temos que encarar”.
“Hoje temos pais e mães idosos mas dentro de uma família tem
filhos que olham, tem filhos que não. Às vezes, fica muito
sobrecarregado para aquele determinado filho. Além disso, ficamos
idosos e não queremos depender do filho, você quer uma vida
independente, um lugar para morar, que tenha atenção e uma certa
segurança para se viver”, defende.
Independente do grupo, ela que procura uma clínica para a própria
mãe, relata a dificuldade pessoal. “Eu achei pouquíssimas clínicas
para minha mãe, não encontro um lugar para ela. É difícil”, disse
emocionada.