O juiz federal substituto da 1ª Vara Cível de Guarulhos (SP),
Antônio André Mascarenhas, decidiu, em 8 de dezembro, que o
governo federal é o responsável por fiscalizar, aplicar multas e
até interromper o funcionamento de empresas que mantenham anúncios
de ofertas e descontos com palavras estrangeiras.
Os anúncios com palavras como “sale” e “off”, em inglês, comuns em
vitrines de lojas, só serão considerados legais se os termos
estrangeiros estiverem acompanhados de tradução com o mesmo
destaque, diz a sentença do juiz.
A decisão da Justiça Federal paulista vale para todo o Brasil e
tem caráter liminar, ou seja, é uma decisão provisória até o
julgamento do mérito da questão e a União pode recorrer. A
Advocacia Geral da União (AGU) informou que ainda não foi intimada
e que só irá se pronunciar após analisar o teor da decisão. A
União deve ser intimada em até 10 dias. Após isso, caso o governo
federal não cumpra a decisão, a Justiça estabeleceu uma multa
diária de R$ 5 mil.
O autor da ação Mateus Baraldi, procurador da República de
Guarulhos (SP), disse que o objetivo é fazer valer o artigo 31 do
Código de Defesa do Consumidor, que estabelece que todo produto ou
serviço deve ter na apresentação informações corretas, claras e em
língua portuguesa. “E mais do que isso. O objetivo é democratizar
as informações nas relações de consumo, que devem ser oferecidas
de maneira honesta e acessível a todos, portanto em língua
portuguesa. O cidadão brasileiro tem o direito de entender e de
ser fazer entender em língua portuguesa”, enfatizou.
Antes de propor a ação, em 2006, Baraldi disse que consultou cerca
de 280 pessoas por meio de um endereço eletrônico e de entrevista
a consumidores da região metropolitana de São Paulo. Ele descobriu
que 91% são contra os estrangeirismos. “As pessoas não querem
anúncios desse tipo”, afirmou Baraldi.
Outra tentativa de por fim ao estrangeirismo foi a proposta de
projeto de lei, do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), em
tramitação no Congresso Nacional desde 1999. O projeto estabelece
que palavras estrangeiras em comércios, anúncios e outros produtos
de comunicação sejam substituídas por equivalentes em português, e
caso isso não seja possível, a Academia Brasileira de Letras (ABL)
teria que estudar o "aportuguesamento" dos termos.