MUNDO acontece
 
 Especial Rock in Rio-Lisboa 2006

 22/MAI/2006
 

Parte 2
Rock In Rio leva estrelas da música mundial a Lisboa

 

Que adaptações o festival teve que sofrer em Portugal?

 

Procurei utilizar o modelo do Brasil. Mas algumas coisas aqui funcionam melhor. Por exemplo, a questão da limpeza da cidade do Rock, no Rio, depende de uma estrutura gigantesca, pois as pessoas não jogam o lixo nos locais adequados, mas sim no chão. Aqui essa questão é muito mais fácil de se controlar. Aliás, todos os projetos ficam mais fáceis de serem controlados em Portugal do que no Brasil, pois os brasileiros são mais irreverentes.

 

E qual é o segredo do sucesso do Rock In Rio?

 

A razão do sucesso do festival são os detalhes, tais como a limpeza e a simpatia no atendimento ao público. Procuramos sempre o máximo da qualidade. Por exemplo, as pessoas comem um sanduíche que a gente testa centenas de vezes, a cerveja chega dois minutos depois de ter sido pedida, as filas são menores, pois há uma grande estrutura. Outro exemplo é os cuidados com a segurança dentro do recinto e com a estrutura nos arredores da cidade do rock, pois se alguém fica preso no trânsito durante nove horas, como é o caso de Woodstock, a pessoa chega irritada ao recinto. Se alguém bebe algum refrigerante que custa 15 dólares, você aumenta a irritação, e se o som não está bom, mais irritadas as pessoas ficam. Se esses detalhes não forem resolvidos, aí começamos a ter problemas. Mas se o trânsito estiver perfeito, bem estudado, com orientações de como aceder ao local, isso caracteriza segurança.

 

E como está sendo preparada a segurança no local?

 

O que mil policiais fazem num local onde há 250 mil pessoas? Nada. A segurança são várias vertentes. As pessoas ficam desarmadas, de bem com a vida. Em suma, a segurança de um festival é fruto de um conjunto de acções.

 

O Parque da Bela Vista já está preparado?

 

Este ano, a cidade do Rock vai estar mais bonita. O palco, que tem 30 metros de altura, está lindo.  A tenda eletrônica também está maravilhosa. Vai ter uns tubos brancos com uma luz diferente, uma névoa de água que, junto com a luz, cria um efeito pouco visto. A parte visual vai estar muito melhor do que há dois anos.

 

Uma das novidades vai ser a existência de um espaço destinado às crianças, pois, em 2004, foram muitas as famílias que visitaram o festival. Havia mães com carrinhos de bebês, e agora elas vão ter onde deixar os seus filhos despreocupadas. A outra novidade é a presença de uma pista de neve no recinto, o que vai fazer a diversão do público.

 

E como está a ser implantado o projeto social em Portugal?

 

Neste momento, abrimos cerca de dez salas de recreação para crianças com problemas visuais. Estamos também plantando 30 mil árvores em Portugal, no âmbito de um projeto chamado Carbono Zero.

 

Algumas pessoas reclamam que, este ano, os nomes que vão atuar nos palcos do festival não têm a mesma qualidade de há dois anos. Como são escolhidas as bandas?

 

É obvio que não podemos agradar a todos os gostos. Para chegar ao casting do Rock in Rio, fazemos uma pesquisa de opinião. O primeiro passo é contactar os parceiros, rádios, televisão, com o objetivo de saber qual é a tendência atual do mundo da música. Depois, a comissão do festival realiza uma pesquisa com 1200 entrevistas, de uma hora e meia, na casa das pessoas, onde procura entender o que elas preferem.

 

Não pensamos somente num público específico. Pensamos em como atender a família em geral, e essa é uma grande diferença do Rock in Rio em relação a outros festivais. Nós não somos um evento de 20 mil pessoas, mas sim de 400 mil. Para chegarmos a atingir essa massa temos que agradar as diversas tribos com diversos estilos.  Então, se analisarmos o casting deste ano, acho que o cartaz é muito melhor do que em 2004.

 

As vendas estão mais de 20 por cento superior ao ano passado, o que prova que as pessoas conheceram e entenderam o evento, que é uma autêntica festa e não somente a apresentação de uma banda. As nossas pesquisas provaram que, em Portugal, 49 por cento das pessoas foram ao Rock in Rio para assistir a algumas bandas, mas, 50 por cento foram pelo motivo da festa. Ou seja, a banda é apenas um ingrediente.

 

Tem algum grupo que não tenha conseguido trazer aos palcos da cidade do Rock?

 

A única banda que eu tentei trazer e que não consegui foi Metállica. Mas consegui todos os nomes que queria.

 

O que as pessoas podem esperar deste festival?

 

Muita qualidade, um cenário mais bonito e um projeto visualmente melhor.

 

Para terminar, qual é a sua opinião em relação a Portugal?

 

Acho que os portugueses ainda não descobriram Portugal. Quando falamos de outros países, os portugueses pensam sempre que somos pequenos. Mas não é verdade. Somos do tamanho que o sonho da gente quiser.

 

Embora não tenha raízes familiares em Portugal, acho que este País é muito especial. E foi por causa do Rock In Rio que conheci Portugal, já que nunca havia estado aqui antes.

 

Fui procurado por um empresário português durante anos, que sempre me convidava para realizar o evento em Portugal. Até que um dia interessei-me e, num momento, achei que deveria internacionalizar o festival. Por isso, aqui estou. Vamos para a segunda edição. E espero poder ter este evento aqui a cada dois anos.

 

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