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21/MAR/2006
Obras em Castro
Daire geram polémica entre autarquia e comerciantes
A Associação Comercial
e Industrial de Castro Daire (ACICD) fez uma vigília à luz de
velas, na noite de segunda-feira, em frente à Câmara Municipal
daquele concelho. Em causa está o atraso no final das obras no
centro da vila.
Ígor
Lopes (Portugal) -
De
acordo com o presidente da ACICD, José Lemos, a vigília teve o
objectivo de mostrar a insatisfação dos comerciantes locais com o
atraso no final das obras na rua principal de Castro Daire.
“Estas obras tiveram
início em Janeiro do ano passado e o prazo para a sua conclusão
não foi cumprido, o que tem causado prejuízos aos comerciantes de
Castro Daire. Por isso, decidimos fazer esta vigília. Mesmo assim,
contámos com pouco mais de 100 participantes, já que os restantes
comerciantes tiveram receio de represarias. (...) Temos
consciência de que as obras são uma mais-valia para esta vila,
entretanto, queremos que as obras terminem o mais rápido
possível”, comentou José Lemos.
Através de um caderno
reivindicativo, entre outros aspectos, a Associação exige que haja
uma mudança no ritmo da obra, no sentido de garantir a sua
conclusão no próximo mês de Junho. A acessibilidade do trânsito
automóvel, dos autocarros de turismo e do transporte colectivo ao
centro da vila é outra das preocupações destes responsáveis, bem
como a definição de medidas que diminuam os prejuízos dos
comerciantes.
Por seu turno, a
presidente da Câmara de Castro Daire, Eulália Teixeira, mostrou-se
surpresa com a manifestação.
“Causa-me estranheza
que os comerciantes e o presidente da Associação, que estiveram
comigo numa reunião no dia 15 de Fevereiro para debater estes
problemas em relação às obras da rua principal, tenham feito esta
acção às escondidas. Na minha opinião, esta manifestação tem
algumas razões que somente o tempo irá trazer ao entendimento dos
munícipes. (...) Há sempre quem não goste de largar o comboio da
campanha eleitoral”.
Entretanto, José Lemos
nega que haja objectivos políticos em meio a este protesto. “Não
há qualquer intenção política em relação à nossa manifestação. Se
houvesse alguma pretensão, este acto teria sido levado a cabo no
período das eleições”, frisou.
Em tom de protesto,
algumas lojas do comércio tradicional colocaram faixas pretas em
sinal de luto pelos prejuízos causados com o decorrer das
intervenções naquela zona.
“Se tudo correr bem,
no Verão as obras terão um bom desenvolvimento”, garantiu Eulália
Teixeira. "Penso que vale a pena este sacrifício, pois vamos ter
um espaço que vai engrandecer a vila" finalizou a autarca. |