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10/MAR/2006
Sonae admite
comprar participação da Telefónica na Vivo
Lisboa - A SonaeCom, empresa do grupo português Sonae, admite a possibilidade
de adquirir a participação que a Telefónica detém na Vivo, como
forma de ficar com o controle total do operador brasileiro de
telefonia móvel, no caso de a oferta pública de aquisição (OPA)
lançada sobre a Portugal Telecom (PT) ter sucesso.
No projeto de
prospecto, que foi entregue na Comissão do Mercado de Valores
Mobiliários (CMVM), a SonaeCom diz que "começará por avaliar as
possibilidades de conseguir controlar as operações em que o grupo
PT é atualmente acionista, especialmente no caso do Brasil e de
Marrocos".
Porém, salienta a
subsidiária da Sonae, caso não seja possível o controle dessas
participadas, como é o caso da Vivo, em que a PT tem uma posição
de 50% e a Telefónica outros 50%, os recursos envolvidos nessas
participações serão alvo de novas apostas. A SonaeCom diz que
"procurará reafetar os recursos envolvidos nas operações em
referência à aquisição de outros operadores baseados na tecnologia
GSM/3G, com especial interesse em países africanos e do Sudeste
Europeu".
A empresa da
Sonae tomou esta posição porque, segundo consta do projeto da OPA,
"a detenção de ações em empresas não controladas ou em controle
conjunto com outros operadores de telecomunicações não permite
retirar o essencial das vantagens de consolidação", nomeadamente
economias de escala, poder negocial, acesso a conteúdos e
marketing.
Na OPA sobre a
PT, a SonaeCom oferece 9,5 euros por cada ação da empresa de
telecomunicações portuguesa. Um dos argumentos de defesa da
SonaeCom é o de que a contrapartida oferecida representa "um
prêmio substancial", já que está 16% acima da cotação dos papéis
da PT à data do anúncio preliminar da OPA, que foi a 6 de
fevereiro. Com os dividendos que as ações da PT rendem, o prêmio
eleva-se a 20,8% (9,88 euros por ação).
No cenário em que
venha a conseguir comprar a totalidade das ações da PT, a SonaeCom
terá de investir cerca de 11,1 bilhões de euros, montante que a
empresa da Sonae diz estar garantido, em função de um acordo de
financiamento já preparado com o banco espanhol Santander.
Encontram-se também assegurados os meios financeiros para o
refinanciamento do passivo da PT, até ao montante de 4 bilhões de
euros, acrescenta a SonaeCom.
Abandono do Brasil pela Portugal
Telecom aumentaria a dívida
A opção da Sonae de fazer a Portugal
Telecom abandonar o Brasil e investir em Marrocos poderá ter um
efeito colateral negativo. De acordo com o "Jornal de Negócios", a
troca da Vivo pela Médi Telecom daria à Portugal Telecom um
encargo adicional de 300 milhões de euros em dívida.
O jornal
português publicou que o redirecionamento da internacionalização
da PT pela Sonae, do Brasil para Marrocos, como parece ser a
intenção do grupo de Belmiro de Azevedo, poderá agravar os níveis
de endividamento da maior operadora de telecomunicações nacional,
alvo de uma OPA pela Sonaecom.
A OPA não se concretizou ainda, uma
vez que só foi apresentado o anúncio preliminar. Analistas no
mercado consideram que o preço oferecido, de 9,5 euros por cada
ação da Portugal Telecom, é baixo e poderia ser aumentado até 14
euros, não fosse a dívida já existente do grupo de
telecomunicações. Não foi para já anunciada qualquer
contra-proposta, embora cresça no mercado português a expectativa
por um movimento desse gênero. |